Brasil Bicampeão
Em 24 de agosto de 2010
1959
O Mundial de Basquete de 1959 era, na verdade, para ter sido disputado em 1958. Mas por causa de atrasos nas obras nos ginásios chilenos o torneio foi adiado para o ano seguinte. O Mundial do Chile sagrou o Brasil campeão mundial de basquete pela primeira vez, e por causa da briga política que ditava a ordem mundial na época, entre socialistas e capitalistas.
FÓRMULA DE DISPUTA
O Campeonato foi disputado em duas fases. Na primeira, As 12 equipes foram divididas em três grupos de quatro países. No Grupo A estavam Argentina, Egito, EUA e Formosa. O Grupo B tinha Brasil, Canadá, México e União Soviética. Enquanto no Grupo C estavam representadas as seleções da Bulgária, Filipinas, Porto Rico e Uruguai. As duas primeiras colocadas de cada grupo se classificavam para a fase final e se juntariam ao anfitrião Chile, na qual haveria confronto de todos contra todos e o campeão seria o que somasse mais pontos ao final dos sete jogos.
PRIMEIRA FASE
Credenciado pelo vice-campeonato em casa cinco anos antes, o Brasil estreou no dia 16 de janeiro, contra a seleção do Canadá. E passou sem muitas dificuldades, apesar do piso escorregadio, que prejudicava o estilo rápido de jogo da seleção brasileira. Na vitória por 69 a 52, na partida inaugural, os destaques foram Waldemar (18), Amaury (17) e Bispo (16).
No dia seguinte, a partida mais difícil dos brasileiros na primeira fase: contra a União Soviética. O jogo estava equilibrado até que Bispo, que foi o cestinha brasileiro (20) foi excluído por exceder o limite de cinco faltas. Assim, a URSS venceu o jogo por 73 a 64. Com a vitória, os soviéticos pareciam ter garantido o primeiro lugar no grupo.
Porém, ninguém esperava a vitória canadense na última rodada, que fez com que o Brasil tivesse de vencer o México para garantir a classificação à fase final. Sem sustos, os brasileiros venceram por 78 a 50, de novo com excelente atuação de Edson Bispo (15), e, de quebra, garantiu a primeira posição no Grupo B. Os adversários na fase final seriam: URSS, EUA, Formosa, Bulgária e Porto Rico.
FASE FINAL
Após dois dias de folga, o Mundial voltou para sua fase decisiva. No dia 21 de janeiro, a seleção brasileira folgou, mas duas partidas movimentaram o dia: URSS 84 x 55 Porto Rico e Chile 86 x 85 Formosa.
No dia seguinte, o Brasil entraria em quadra para seu primeiro desafio na fase final e sem seu principal jogador da primeira fase. Devido ao forte frio chileno, Bispo pegou uma gripe e não pode atuar, dando lugar a Pecente, uma espécie de sexto jogador brasileiro e que havia acabado de completar 25 anos, no dia anterior. Com uma atuação brilhante no primeiro tempo, o técnico Kanela poupou seus principais jogadores na volta e, mesmo assim, os brasileiros conseguiram uma vitória convincente, por 94 a 76 sobre a seleção de Formosa.
Na segunda rodada, viria mais uma partida difícil, contra a Bulgária, vice campeã europeia. O jogo foi duro e a principal reclamação dos brasileiros foi que os búlgaros usavam bastante o cotovelo, mas, mesmo assim a seleção canarinho venceu por 62 a 53. Bispo, recuperado de sua gripe, foi novamente o destaque brasileiro, com 17 pontos.
No dia seguinte, viriam os soviéticos novamente no caminho. Com Bispo baleado ainda pela gripe, o Brasil teve dificuldades no começo e chegou a levar um baile nos primeiros minutos de jogo. Depois de ver os soviético abrirem 20 a 8, os brasileiros conseguiram fechar o primeiro tempo em vantagem: 30 a 31. Mas, no segundo tempo não foram páreos para a forte seleção da URSS, que acabou vencendo a partida por 63 a 60, batendo os brasileiros pela segunda vez no mesmo mundial.
A seleção verde e amarela só voltaria entra em campo três dias depois, para vencer o time de Porto Rico, sem tomar conhecimento: 99 a 71. Dois dias depois, 30 de janeiro, viria o dia decisivo para a conquista do campeonato.
Não foi a última partida, tampouco o jogo que coroou o título brasileiro. Mas foi o dia que desenhou para onde iria o caneco. Por questões políticas, a URSS se recusaria a jogar contra Formosa no dia seguinte, pois não reconhecia a independência da ilha (que havia se tornado uma república capitalista) em relação à China comunista, sempre apoiada pelos soviéticos. Por este motivo, as duas seleções de repúblicas socialistas à época, URSS e Bulgária, se não apareceram para enfrentar a China Capitalista. Assim, a FIBA decidiu punir os dois países com a perda de todos os pontos na fase final. Por causa disso, o jogo entre Brasil e EUA seria praticamente uma final antecipada.
O jogo contra a seleção norte americana era fundamental. Um fator, porém, mostrava que os brasileiros eram os favoritos para o duelo: como o Mundial deveria ter sido disputado em 58, a temporada univesitária norte-americana estava no meio. Assim, os EUA nao poderiam usar seus melhores jogadores. O jeito foi colocar um anúncio no jornal da Força Aérea convocando voluntários. Vinte e quatro atletas se apresentaram para uma peneira, nenhum com mais de 1,96m. Um dia antes da viagem para o Chile, os dois melhores do elenco (Robert Jeangerard e Eddie White) se lesionaram.
Mesmo assim, o jogo foi tenso. O Brasil fez um péssimo início de jogo. Porém, depois de sair de um placar de 29 a 13 em desvantagem, os sul-americanos conseguiram virar o jogo e sair com um 40 a 37 favorável para o intervalo. No segundo tempo, a seleção canarinho foi perdendo seu principais jogadores por excesso de faltas: Amaury Passos, Algodão, Edson Bispo e Pecente. Ainda assim, os brasileiros foram buscar a vitória por 81 a 67, com destaque para Wlamir (26), que praticamente deu o título ao país.
À essa altura, os torcedores chilenos já tinham garantido sua simpatia ao time brasileiro. Os anfitriões, que torciam pelo Brasil, agora enfrentavam um dilema: continuar torcendo para que os brasileiros fosse campeões mundiais, ou tocer por seu país, que já não tinha mais nenhuma hipótese de ser campeão? Os auri-verdes precisavam de um triunfo por 12 pontos de diferença. E a inapelável vitória sobre Chile, por 73 a 49, fez a torcida da casa se render aos novos campeões mundiais. Durante a volta olímpica, os torcedores chilenos, reconhecendo os novos campeões, aplaudiram de forma entusiasmada. O Um ano depois de se firmar no plano mundial do esporte ao vencer a Copa do Mundo de Futebol, os brasileiros mostraram ao resto do planeta a força da nação, acabando com o ‘complexo de vira lata’ do Brasil e venceram, também, o Mundial de Basquete.
1963 – O Ano do Bi Brasileiro no Basquete Mundial
Defendendo o título de 1959, o Brasil sediou o Mundial seguinte, quatro anos depois, e por esse motivo entrou na disputa já na segunda fase da competição;
Na fase Preliminar, três grupos ( A, B e C ), formado por quatro equipes se enfrentaram e os dois melhores colocados de cada um se juntaria a Seleção Brasileira na fase final, em que os seis classificados mais o Brasil se enfrentariam e o campeão seria decidido por pontos corridos.
Tanto na fase Preliminar quanto na Final, a vitória valia 2 pontos na classificação;
Grupo A, formado por Canadá, França, União Soviética e Uruguai;
Grupo B, formado por Japão, Peru, Porto Rico e Iugoslávia;
Grupo C, formado por Argentina, Itália, México e Estados Unidos;
Os classificados foram União Soviética ( 3 vitórias ), França ( 2 vitórias ); Iugoslávia ( 3 vitórias ), Porto Rico ( 2 vitórias ); Estados Unidos ( 3 vitórias ), Itália ( 2 vitórias );
Na fase final, os brasileiros simplesmente não tomaram conhecimento dos rivais: foram seis vitórias nos seis jogos – 12 pontos ganhos e 100% de aprobveitamento -, com direito a 74 pontos de saldo – o maior da competição.
A Iugoslávia foi a segunda colocada com cinco vitórias, e a União Soviética ficou em terceiro com quatro.
Classificação final:
1 – Brasil
2 – Iugoslávia
3 – União Soviética
4 – Estados Unidos
5 – França
6 – Porto Rico
7 – Itália
8 – Argentina
9 – México
10 – Uruguai
11 – Canadá
12 – Peru
13 – Japão
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