No próximo sábado (09), o Santos vai passar por um processo eleitoral para definir o presidente do clube pelos próximos três anos. O Peixe tem quatro chapas registradas para o pleito, lideradas por, em ordem de registro, José Carlos Peres, Nabil Khaznadar, Andres Rueda e Modesto Roma Júnior - atual mandatário.


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Candidato da chapa "Somos Todos Santos", José Carlos Peres tem como seu vice Orlando Rollo. O empresário de 69 anos tem como um dos principais planos de gestão uma alteração no estatuto do clube visando uma melhoria na busca pelo saneamento das dívidas do Peixe.


"Temos que estancar a dívida. O mercado quer transparência, reputação, o que leva a credibilidade para conseguir bons parceiros. Nós pretendemos propor ao Conselho Deliberativo (CD) para que ele insira uma cláusula ou um artigo dentro do nosso estatuto que o presidente que aumentar a dívida arque... Por exemplo, eu assumo com R$ 500 milhões, se eu entregar com R$ 520 milhões, esses R$ 20 milhões serão arcados pelo presidente e todo o seu comitê gestor. Essa é a grande mudança. Primeiro estanca a dívida, ninguém pode aumentar", disse o candidato em entrevista exclusiva ao Esporte Interativo.


Se eleito, Peres promete severas mudanças no clube. O candidato afirma que vai trazer um choque de gestão e "passar a vassoura" no Santos, reduzindo significativamente o número de funcionários registrados pelo Peixe.


Perez

"Nós vamos fazer reformulação, vamos trocar tudo, vamos passar a vassoura, eu digo que é 'projeto vassourinha'. Vamos limpar tudo, o Santos precisa de um choque de gestão. O que propomos no futebol, e em todas as áreas, é um choque de gestão. Vamos trabalhar com a mentalidade de buscar receita, ter um time forte. (...) É o que falei, vai ter uma vassoura, não vamos ter ninguém encostado. O clube não suporta mais sustentar quem está lá encostado".


A figura de Pelé também é algo que entra nos planos de gestão do candidato. José Carlos Peres tem como ideia "transferir" o posto de presidente ao Rei do Futebol para que o melhor jogador de todos os tempos possa representar o Santos fora do país.


"Eu digo para você: ele terá uma cadeira no Comitê de Gestão, como ouvinte ou até dando o palpite dele. O Pelé tem que ser eterno. Eu até falo que meu cargo de presidente eu transfiro para o Pelé, para ele me representar no mundo inteiro, para representar o clube. O Pelé tem que ir a um evento no exterior e estar no cartão: 'Edson Arantes do Nascimento, presidente'. É isso que ele vai ser, não só presidente de honra, mas presidente mesmo, por merecimento. Nas questões de representatividade no mundo inteiro, vou transferir o cargo de presidente para ele nos representar da melhor forma possível. O Pelé e forte, a marca dele é bem parelha com o Santos. E Santos e Pelé juntos é uma marca maravilhosa. Na Europa, quando você fala de Santos lembram do Pelé, e quando falam de Pelé lembram de Santos. É uma simbiose muito forte".


Confira outros trechos da entrevista com José Carlos Peres:


Internacionalização da marca:

"A preocupação com a internacionalização da marca é forte, vai estar no nosso projeto, está nos 11 pilares das nossas propostas. Mas entendemos que antes da internacionalização, ou até mesmo em paralelo, nós temos que trabalhar a marca no Brasil. O Santos tinha em 1969 a maior torcida do Brasil, maior do que a do Flamengo. Ele era o primeiro, Flamengo era o segundo e Corinthians era o quarto. Dentro desse princípio, perdemos a torcida no Brasil, hoje somos a sexta. Temos que recuperar a nível nacional, sem esquecer a área internacional, são os dois. Nosso problema não é só a internacionalização, mas também a nacionalização da nossa marca".


Marketing em São Paulo:

"O marketing tem que estar em São Paulo. Nós vamos ter uma unidade de negócio em São Paulo, profissional, e teremos o marketing, que vai embalar o produto para se vender, e também teremos uma área comercial para vender. Porque não é possível o cara criar o produto e sair para vender, isso não existe. Uma fábrica de metalúrgicos faz seus produtos e sai para vender? Não. Ela vai ter alguém para vender. O Santos vai agir da mesma maneira. Vamos trabalhar bem o marketing, um marketing profissional, que tenha todas as possibilidades de exploração. Não dá para você ter um marketing em Santos. Todos os grandes clubes brasileiros hoje estão em São Paulo. Tem três ou quatro do Sul e do Rio de Janeiro, até do Nordeste já tem clube montando escritório em São Paulo. Nós temos que estar presentes, termos um local para fazer o produto, sem esquecer Santos, vai ter gente em Santos. Mas aqui vai ter a tropa de choque para buscar dinheiro".


Relação com o elenco:

"O Santos vai estabelecer dentro de seu departamento de futebol um plano de carreira, porque tem que ser tratado como uma empresa. E a gente fazer um case sobre isso, que já tem nos EUA, que tem categorias: jogador A ganha isso, jogador B ganha isso, e ele pode mudar de categoria, se produzir. Se estiver bem, vai para o A e quem estiver no A, vamos ficar de olho, porque se não estiver produzindo, vamos cobrar. Não é o que está acontecendo agora que o elenco faz o que quer, vai acabar a bagunça no clube. Eu vou conversar com todos os jogadores, trazer eles para o projeto, fazer uma imersão para eles saberem o que é o Santos Futebol Clube, saber o que significa essa camisa. Vamos falar com eles 'nós temos um case de levantar o clube. Esse case não é nosso, é de vocês também'. Jogador tem que entrar em campo e comer a grama. Não comer a grama só no final do campeonato, eu costumo dizer que o seis primeiros pontos são mais importantes que os seis últimos, porque os clubes estão mais frouxos no começo. No fim, tem time caindo, subindo e a briga fica boa. Isso tem que passar para o jogador no início da competição. Tem aquela história de 'jogador está fechado com o técnico', jogador tem que estar fechado com o clube acima do técnico, com o técnico por consequência".


Vila Belmiro x Pacaembu:

"Tem duas coisas. Primeiro, já separamos 50% para cada um, isso é fato. Nós estamos estudando a importância dos jogos. Jogos decisivos são a nossa chance de ganhar dinheiro, essa é a chance. Poderemos, inclusive, fazer jogo decisivo no Morumbi, para 80 mil pessoas. A importância será estudada, mas nunca saindo da praça. Se o jogo está determinado para São Paulo, ele vai ser em São Paulo. Precisamos de dinheiro, só vamos ter time forte se tivermos dinheiro e não atrasar salário. Para isso, temos que fazer receita. Com certeza isso está sendo estudado, não adianta eu falar que o importante vai ser na Vila porque isso está sendo estudado. O que não vai acontecer é mudar de praça". 


Relação com ídolos:

"Tanto Neymar quanto Robinho, jogadores identificados com o clube têm que saber que Santos é a casa deles. É inadmissível vermos jogadores como o próprio dizerem que quando voltarem vão jogar no Rio de Janeiro ou até mesmo em outros times de São Paulo. O clube está perdendo essa ligação com o jogador, isso é bom para o clube, valoriza a marca. Na Europa, quando veem o Neymar lembram que ele vem do Santos. Então esses jogadores têm que saber que a casa deles é a Vila Belmiro. Não se pode massacrar ídolos".


Por que o sócio deve te escolher?

"Primeiro porque de todos os candidatos, sou o único que conhece futebol, que está no futebol há mais de 20 anos. Sou o único que conheço o clube por dentro e por fora, conheço e tenho experiência para isso. Não adianta se fazer de empresário e depois sentar na mesa e não saber o que fazer. Lá se mexe com paixão, não é produto nem com serviço. O serviço que se presta é essa comunicação com a torcida, e para isso precisa conhecer. É bem diferente de você ter uma empresa, você mexe com paixão, é muito diferente. Também tenho essa comunicação com todo mundo, tenho possibilidade com a FPF, CBF, Conmebol, vou ter a melhor comunicação com eles, sempre colocando em primeiro lugar que essa relação será muito importante, mas que respeitem meu clube e minha marca, queremos sempre o benefício para o clube. Nós temos uma dívida a ser enfrentada, sei como equalizar. Fui o único a falar em estancar. Sou José Carlos Peres, chapa 1, e quero dizer que se eleito, serei presidente de todos os santistas, inclusive os que votarem contra mim, precisamos de mais união e menos ódio. Isso será possível se juntarmos todo mundo, todos no mesmo barco remando para o futuro do clube".


​(Fotos: Instagram/Movimento Somos Todos Santos)