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12/5/1970 - Tostão era a única dúvida de Zagallo para a estreia

Félix, o mais experiente, na meta; Carlos Alberto, Brito, Piazza (improvisado) e Marco Antonio; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé e Rivellino; Tostão ou Roberto. A equipe brasileira para estrear em 3 de junho contra a Tchecoslováquia. E que acabaria não sendo o time...

Por Mauro Beting

Piazza seria o zagueiro-esquerdo na Copa no México

Piazza seria o zagueiro-esquerdo na Copa no México

A única dúvida para Zagallo para a estreia em 3 de junho era Tostão. O craque cruzeirense sabia que nem toda a comissão técnica entendia que ele estaria em condições para a Copa depois de ter ficado seis meses sem jogar por causa do descolamento de retina. Se não pudesse jogar, Roberto seria o titular. Até porque Dario só voltava aos treinos naquele terça-feira em Guanajuato.

Tostão entendia que a sequência de jogos daria a ele a condição ideal para ser titular no Mundial. Membros da comissão técnica entendiam que talvez não houvesse tempo hábil. Também pela dureza do grupo no Mundial. Disparado o mais difícil de todos. Até porque reunia os campeões dos últimos três mundiais - e seria, ao final das contas, o grupo do campeão de 1970.

O "tédio" na concentração foi quebrado por incidente desagradável. Jairzinho perdeu o relógio. Jornalistas foram revistados até que o massagista Nocaute Jack o encontrou ao lado da piscina. Segue o jogo.

Piazza seria mesmo o titular na zaga ao lado de Brito. Melhor opção para cobrir os avanços de Marco Antonio. Mas Fontana teria mais uma chance no próximo amistoso contra o León.

Rogério estava desanimado com suas chances de permanecer no grupo. Sentia a coxa direita que o incomodava desde janeiro. CBD consultou a condição militar do provável substituto. O santista Manoel Maria. Na semana anterior ele tinha sido convocado para servir o Exército, em São Vicente. O general Osman Ribeiro, em nome da entidade, estava fazendo o meio-campo para o liberar do serviço militar, se necessário.

Sem jogo, o noticiário insistia na "crise da concentração". Pelé falava mais firme: "o campo para treinamentos realmente não é o ideal. Mas o hotel é ótimo. Não viemos aqui em férias. Viemos para ganhar uma Copa".

Nelson Rodrigues também insistia na tese de que os brasileiros eram os dragões da Independência da obra de Pedro Américo. "Torcemos de esporas e penachos" à distância. Ele detonava sempre os pessimistas da imprensa e da arquibancada.

Quanto à Seleção, Nelson dava em O GLOBO a receita para a turma no México: "o Brasil não precisa de futebol. Graças a Deus, temos futebol demais. Precisa de confiança, de otimismo, de fé. Se o escrete acreditar em si mesmo, será imbatível".

Pelé e Fontana jogavam "voleibol com a cabeça". Com o se chamava o futvôlei então. Mas ainda não se entendiam das rusgas de muitos duelos duros no Brasil.

Paulo César não ouvia música brasileira na vitrolinha que trouxe. "Para não ficar com mais saudades ainda".

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