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13/5/1970 - Não deu pra seguir: Rogério cortado do Mundial

Ponta-direita do Botafogo sentiu de novo a coxa e pediu para deixar o grupo. Manoel Maria, Vaguinho ou um terceiro goleiro seria convocado por Zagallo? A Copa começaria para o Brasil em 3 de junho.

Por Mauro Beting

Lídio de Toledo conversa com Rogério, ponta do Botafogo e da Seleção - como o ortopedista

Lídio de Toledo conversa com Rogério, ponta do Botafogo e da Seleção - como o ortopedista

Com pouco mais de 5 minutos de treino em Irapuato, Rogério sentiu mais uma fisgada na parte posterior da coxa direita. A mesma que o incomodava desde janeiro e que também o fazia reserva de Jairzinho. Na hora ele comentou com o seu marcador Marco Antonio, lateral-esquerdo do Brasil titular, para que pegasse leve com ele. O lateral do Fluminense tentou motivar o ponteiro do Botafogo. Mas ele seguiu até o final da primeira etapa pouco acionado pelos companheiros, e visivelmente se poupando.

No intervalo, Rogério pediu para deixar o time reserva e foi conversar com Zagallo. Logo chegou o doutor Lídio de Toledo. Cabisbaixo, foi para o vestiário conversar com Antonio do Passo, chefe da comissão técnica.

Jairzinho foi o primeiro a chegar ao vestiário o final do treino de 80 minutos já imaginando o desfecho que era provável havia semanas. Abraçou o seu reserva e chorou. Fontana beijou a face de Rogério. Todo o elenco o abraçou bastante.

Rogério queria voltar ao Brasil. Estava desolado, com saudades da família, e pretendia se preparar para o vestibular para a faculdade de Direito. Foi demovido por Passo, Zagallo, demais membros da comissão técnica e elenco durante toda a
Tarde. À noite ele aceitou o convite e ele seguiria como convidado da comissão técnica. Possivelmente como olheiro dos adversários do Brasil.

Até sábado a CBF queria uma definição dos 22 inscritos para a Copa. João Havelange, presidente da entidade, pedia mais 48 horas para definir quem seria convocado para o lugar do ponta-direita do Botafogo.

Não era mais Manoel Maria, ponta do Santos, o substituto natural. Depois de observar que todas as 15 seleções viriam com três goleiros para a disputa da Copa, Zagallo e comissão técnica estavam inclinados a reconvocar Leão, goleiro do Palmeiras, que havia sido cortado na semana do embarque para o México.

Fontana era outra preocupação. Até porque seria melhor testado dos problemas no joelho no amistoso de domingo contra o León. Um dia depois do prazo dado pela presidência da CBD. Ele estava confiante na permanência no grupo. Lídio ainda tinha dúvidas.

No treino de 80 minutos em Irapuato, reservas venceram por 3 a 1. Roberto jogou no time principal e fez o gol. Zagallo havia pedido para os titulares maneirarem. Ele não queria mais lesionados. Tanto que cancelou o treino do dia seguinte, quinta-feira.

Tostão não tinha treinado. Logo cedo acordou com a vista esquerda "congestionada". O olho que sofreu descolamento de retina em setembro de 1969. Lídio de Toledo telefonou para Houston para conversar com o doutor Roberto Abdala Moura, que operara Tostão. O oftalmologista tranquilizou o ortopedista da Seleção dizendo que não seria problema. Mas Lídio manteve Tostão em Guanajuato, usando óculos escuros todo o dia.

"Já deixei claro para toda a comissão técnica: se eu não puder jogar, podem me dispensar. Mas sei que tenho condições para jogar o Mundial", declarou o atacante do Cruzeiro.

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