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17/5/1970 - Brasil 5 x 2 León

Brasil com problemas defensivos no 5 a 2 contra o time mexicano. Zagallo estava bravo com o titular Marco Antonio. Everaldo ganhava chance de ser testado na equipe titular. Lateral-esquerda passava a ser a única dúvida para a estreia na Copa, em 3 de junho de 1970, contra a Tchecoslováquia.

Por Mauro Beting

Marco Antonio, lateral-esquerdo do Brasil em 1970

Marco Antonio, lateral-esquerdo do Brasil em 1970

A bronca maior foi do treinador ao final do jogo contra frágil adversário, dirigido pelo mítico ex-goleiro Carbajal, que jogara todas as Copas, de 1950 a 1966. Zagallo estava possesso com o lateral-esquerdo Marco Antonio (e não apenas pelo gol contra que fez). Dando pistas até então não esperadas do que aconteceria na Copa:

- Everaldo vai jogar um tempo ao menos contra o Irapuato porque tem faltado humildade ao Marco Antonio. Ele é autossuficiente, convencido, e precisa se acalmar um pouquinho. Problema do Marco Antonio não é futebol.

Mas ele pegou pela primeira vez um ponta que foi ao fundo. "E ele se deu mal com isso. Everaldo está merecendo uma chance há muito tempo", encerrou Zagallo.

Não apenas o lateral-esquerdo foi mal. O direito, também. Carlos Alberto fez sua pior exibição, com dificuldades na marcação e recomposição defensiva. Brito acabou sobrecarregado.

Não fossem três grandes defesas de Félix, poderia ter sido muito pior para a defesa brasileira. A felicidade que virou facilidade foi a atuação do camisa 9 canarinho. No encantamento de Zagallo:

"Tostão é insubstituível".

Não só clinicamente o craque celeste estava confirmado para a Copa. Também para o treinador bastaram 270 minutos em amistosos para ganhar a posição que para Zagallo antes era "incompatível taticamente" ao lado de Pelé.

Tostão foi o melhor do amistoso contra o León, naquele domingo. 35 mil pessoas viram a Seleção ganhar por 5 a 2. O ataque foi aprovado. Mas a defesa...

Zagallo testou a marcação com encaixes individuais. Os zagueiros não se entenderam. Também porque mais expostos desde o meio-campo. Sobretudo na segunda etapa, quando Zagallo testou algo que Aymoré Moreira havia feito em 1968: sem Clodoaldo que marcava por todos, Gérson ficou um pouco mais atrás, desta vez com a ajuda de Rivellino, com Paulo César Caju mais aberto pela esquerda.

Com a bola, um time muito técnico. Mas exagerando na filigrana e na troca de bola a esmo. E com sérios problemas para marcar.

O amistoso não estava difícil. Aos 25 minutos Pelé fez 1 a 0 depois de confusão na área do León. Aos 37, Ele ampliou de falta. Aos 8 minutos do segunda etapa, Rivellino fez 3 a 0.

Aos 13 minutos, uma bomba de Estrada diminuiu o placar. Ampliado no minuto seguinte por Tostão, em belo lance do ataque.

Marco Antonio, coroando com chave de chumbo a má partida, foi dar um bico na bola e marcou contra, aos 22.

Paulo César fechou a conta aos 39, em boa jogada coletiva da equipe. Pouco antes de Gérson sentir lesão e deixar o Brasil com 10, já que Zé Maria tinha entrado na lateral, aos 23min.

O resultado não interferiu na queda da cotação do Brasil na bolsa de apostas de Londres. Já não era tão favorito.

Zagallo esclareceu algumas questões. Goleiro para a Copa: "Meu goleiro está definido. Mas vou fazer rodízio. Joga Ado o próximo amistoso". Fontana? "Vai jogar contra o Irapuato. Precisa de ritmo de jogo. É o meu zagueiro que mais orienta. Piazza é mais clássico e fala menos".

João Saldanha também cornetou na sua coluna em O GLOBO, mas sempre com respeito a Zagallo: "agora acho que não tem mais dúvidas que Pelé e Tostão se entendem perfeitamente em campo. E há muito tempo"

Mas o ex-treinador do Brasil até 17 de março ainda via questões táticas a serem corrigidas: "Tostão e Rivellino têm que cair mais pela esquerda que não tem ninguém. Carlos Alberto e Jair estão muito distantes entre si".

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