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22/4/1970 - Zagallo já tinha na cabeça quem cortaria da Seleção

A Seleção estrearia no México em 3 de julho de 1970 contra a Tchecoslováquia. Sem saber ainda, depois de um mês de trabalho de Zagallo, qual seria a equipe titular. 

Por Mauro Beting

Doutor Lídio de Toledo, médico da Seleção campeã mundial em 1970 e também em 1994

Doutor Lídio de Toledo, médico da Seleção campeã mundial em 1970 e também em 1994

Leônidas já havia sido cortado em primeiro de abril. Zagueiro do Botafogo que era dirigido por Zagallo e tinha como médico Lídio de Toledo, também da Seleção. Ele tinha sido convocado em 19 de março para a Seleção pelo treinador assim que substituiu Saldanha.

O ex-técnico, demitido na antevéspera, não entendeu. Ele pensou convocar Leônidas (em grande fase) na relação de fevereiro e havia sido demovido pelo próprio Lídio. O médico teria dito, segundo Saldanha, que não só a artrose no joelho direito o impediria de jogar no México. Também testes cardíacos não recomendariam o zagueiro atuando na altitude.

Algo que Lídio explicou publicamente apenas em 22 de abril. Dizendo que a convocação por Zagallo foi ideia do treinador. Ele estava entusiasmado com o desempenho de Leônidas. Inclusive na excursão botafoguense no início do ano pelo próprio México.

Mas o ortopedista disse que a artrose era mais grave do que ele imaginava. E por isso Leônidas foi cortado já em primeiro de abril.

Risco que outro botafoguense também corria: o ponta-direita Rogério. 

"Manoel Maria ou Vaguinho". Zagallo dizia que um dos dois nomes substituiria Rogério, caso ele não pudesse embarcar para o México.

(Ao menos naquela quarta-feira de abril...)

Em relação aos nomes que estavam "a mais" no grupo de 22, os mais prováveis cortados da relação de Zagallo seriam - naquele22 de abril - o goleiro Leão, o volante Zé Carlos, o ponta-de-lança Dirceu Lopes, e o ponta-esquerda Arilson.

Para o amistoso de domingo contra a Bulgária, no Morumbi, Zagallo cogitava poupar Fontana na zaga, que vinha sentindo dores musculares. Joel entraria no lugar dele, pela esquerda da defesa,  "até para ganhar mais ritmo de jogo". Rivellino, que vinha treinando muito bem entre os reservas, também entraria no time (ainda que tivesse alguns problemas musculares). O treinador só não sabia no lugar de quem.

Assim como Tostão parecia pronto para voltar a jogar. Estava parado desde setembro de 1969, quando teve um descolamento de retina.

Também não se sabia de quem. Mas se desconfiava de que seria no lugar de Pelé. Zagallo insistia que "Pelé e Tostão são incompatíveis taticamente". Para o que o treinador pretendia na Copa: um atacante de área, um ponta-de-lança chegando, e um ponta-direita mais aberto, com três jogadores no meio. "Meu esquema é o 4-3-3. Não existe mais espaço para o 4-2-4 (esquema de Saldanha)".

O grupo brasileiro deixou a concentração do Retiro dos Padres e se instalou no Hotel das Paineiras, no Rio. Onde ficaria até a outra sexta-feira, quando a Seleção embarcaria enfim para o México, como primeira delegação a chegar ao país da Copa.

E seria a última a deixar o país.

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