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23/4/1970 - Paulo César Caju sabia que seria vaiado em São Paulo

Faltava quase uma semana para o Brasil embarcar para o México para  Copa que começaria para a Seleção de Zagallo em 3 de junho. Paulo César Caju seguia muito criticado. Não estava realmente bem no 4-3-3 brasileiro.

Por Mauro Beting

Paulo César Caju conversam no treino da Seleção. Faltava entrosamento entre eles em campo

Paulo César Caju conversam no treino da Seleção. Faltava entrosamento entre eles em campo

"Já estou preparado para ser vaiado no Morumbi contra a Bulgária. Eu senti contra o Chile, lá no primeiro jogo em São Paulo do Zagallo, porque foi a primeira vez na vida que fui vaiado não por um lance errado. Mas por todo o jogo. Antes mesmo dele começar".

Paulo César Caju jogava muito. Tinha com Zagallo a escalação garantida. O treinador queria que ele fizesse de amarelo o mesmo papel que exercia no Botafogo, também treinado por ele. Fechar da esquerda para o meio para trabalhar como terceiro homem no 4-3-3. Aproveitando também o fato de ser destro, o que o levava a afunilar.

"Realmente estamos embolando ali pelo meio. Tem faltado mais entrosamento com o Pelé. Quando eu vou por dentro ele precisa abrir mais pela esquerda. Com o tempo a gente vai ajustando".

Zagallo insistiu com a imprensa que na Copa as seleções iriam se importar mais em não levar gol do que em fazer gol. "Precisamos aprimorar nossa marcação em todo o campo". Ele e a comissão técnica cobravam mais participação sem a bola no comabte aos rivais. Queria mais gente do ataque e do meio-campo cercando a saía de jogo adversária.

Arilson, ponta do Flamengo, pouco antes de ser convocado por Zagallo, tinha sido suspenso por um ano por ter agredido em 1969 um bandeirinha. Mas ele agora já tinha condição plena de jogo - não apenas por ter sido convocado pelo Brasil. Sua pena tinha sido reduzida para uma multa de 100 cruzeiros.

João Havelange definiu enfim o chefe da delegação no México. Cargo muito importante quando bem exercido como foi por Paulo Machado de Carvalho, no bicampeonato em 1958 e 1962. A partir dos anos 1990, virou uma rainha da Inglaterra. Ou nem isso.

O presidente do São Paulo FC (e futuro governador biônico) Laudo Natel havia recusado o convite feito em março. O banqueiro Walther Moreira Salles, também. Muito comentado era o nome de Syzeno Sarmento, comandante do 1º Exército, da alta cúpula das  Forças Armadas. Depois de dois nomes civis negarem, um militar foi enfim chamado para fazer o meio-campo da CBD com Brasília: o brigadeiro Jerônimo Bastos, mais vinculado ao atletismo e vôlei. Um dos militares que foram com Havelange a Brasília, em 19 de março, quando o presidente da CBD foi convidado pelo ministro da Educação, o coronel Jarbas Passarinho, para saber o que acontecia na entidade depois da demissão de João Saldanha.

Havelange negava que houvesse intervencionismo do ditadura militar na CBD. Mas ele dava um jeito de dar um agrado ao escrete verde-oliva e amarelo.

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