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25/4/1970 - 85% dos brasileiros confiavam no tri

Pesquisa do Instituto Gallup dava que torcida confiava no titulo no México. Mas não vinha gostando do futebol da Seleção. Parreira, auxiliar de preparação física, contava que comissão técnica queria um ataque que marcasse sem a bola "como se faz na Europa". No dia seguinte tinha amistoso contra su-23 búlgaro

Por Mauro Beting

Chargista Otelo brinca em O GLOBO com o adversário do Brasil no Morumbi

Chargista Otelo brinca em O GLOBO com o adversário do Brasil no Morumbi

No sábado a Seleção saiu do Hotel das Paineiras, nova concentração do elenco (e a mesma de 1958 e 1962) e foi para São Paulo. No domingo o Brasil jogaria contra o Sub-23 da Bulgária, no Morumbi. Outro tombo levado pela CBD que imaginava que teria como adversária a seleção principal búllgara - que jogaria a Copa de 1970. Não um time inferior em tudo. Até nisso a preparação foi desorganizada por parte da entidade - não da comissão técnica extremamente competente.

Por isso a charge de O GLOBO do cartunista Otelo brincando com a categoria dente-de-leite

Na véspera, na sexta-feira, no último treino coletivo, na segunda etapa, Tostão entrou no time no lugar de Dario para refazer a dupla ofensiva com Pelé. Atrás de uma das metas, o preparador físico Carlos Alberto Parreira comentou para os jornalistas que quiseram ouvir, com aguma ironia: '"tá em campo a dupla que o Brasil deseja ver".

Pelé e Tostão que brilharam em 1969 com João Saldanha nas Eliminatórias.

Mas, para Zagalo, ainda eram "incompatíves taticamente".

Parreira estava aberto à conversa, como, aliás, sempre gostou de fazer: Além de sincero, foi preciso. E moderno (até hoje): "a nossa maior diferença pra Europa hoje é que aqui não existe essa integração entre os compartimentos da equipe como as equipes por lá. Quando alguém perde a bola no ataque na Europa, tem que se transformar em marcador. Aqui, todo mundo fica assistindo. Não pode mais ser assim. Estamos insistido nisso. Mas é duro mudar essa mentalidade de uma hora pra outra".

O preparador também enalteceu o provável terceiro goleiro que seria cortado na semana seguinte: "Leão é o melhor nos treinamentos técnicos. Mas nos jogos ainda é imaturo". Ele tinha apenas 19 anos.

Zagallo pensava testar algo que Aymoré Moreira havia usado em excursão em 1968. Gerson e Rivellino no meio-campo. Aquele time jogava com dois pontas: Natal (Cruzeiro) e Edu (Santos) ou Eduardo (Corinthians). Era um 4-2-4, diferente do 4-3-3 que Zagallo propunha (e que seria mesmo muito mais um 4-2-3-1 no México).

Não era o que pensava o treinador: "Rivellino é muito ofensivo. Difícil ele fechar o meio. E prefiro que ele esteja mais à frente para aproveitar o chute forte dele".

João Saldanha, em O GLOBO, seguia pedindo Tostão e Pelé juntos (como ele os escalou em 1969). E seguia querendo evitar que Dirceu Lopes fosse cortado como parecia que seria na semana seguinte. "Cortar o Dirceu é uma barbaridade. O Nicolescu, treinador da Romênia, disse que se ele tivesse um jogador como o Dirceu ele iria até a semifinal da Copa. Agora, onde ele jogaria no meu time? No lugar do Clodoaldo? Piazza? Gerson? Pelé? Tostão? Não sei. Mas ele tem que ir pra Copa".

Saldanha aproveitou para cornetar mais uma vez Paulo César Caju. Ou a ideia de Zagallo de ter o ponta-esquerda mais por dentro, como um terceiro homem no meio: "um ponta avançado pela esquerda dá certo ate na Transilvânia".

POLÊMICA! O preparador físico Raul Carlesso, que também trabalhava com os goleiros, não queria ver Rogério jogando na quarta-feira contra a Áustria, no Rio. O doutor Lídio de Toledo queria testá-lo.

PESQUISA - Segundo o instituto Gallup, 82% dos brasileiros veriam a Copa pela TV. A primeira transmitida ao vivo pelo Brasil.

Para os ingleses, a Inglaterra manteria o título de 1966: 37% achavam que ganharia a Copa. O Brasil tinha 12% de chances.

Na Alemanha, 18% acham que eles ganhariam o bicampeonato mundial - então. E 15% apontavam o Brasil como favorito.

Os brasileiros? Mesmo desconfiados da Seleção, 85% confiavam no título. Inglaterra tinha 5%.

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