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28/5/1970 - Jogadores reclamavam da bola antes da Copa

Brasil estrearia em 3 de junho, contra a Tchecoslováquia, em Guadalajara

Por Mauro Beting

A bola Telstar da Copa de 1970

A bola Telstar da Copa de 1970

Jogadores do Brasil ainda reclamavam da "bola francesa" que seria usada na Copa. De fato, alemã. Mas fabricada na França pela Adidas.

A primeira bola da empresa em Copas. "Muito leve e sinuosa". "Pega muito efeito".

Com a altitude, de fato, e a menor resistência do ar, ela parecia um balão. Ou a famosa Dente de Leite de plástico que tantos garotos dos anos 1970 jogaram.

Ou, para os mais modernos, uma versão raiz da Jabulani da Copa de 2010.

A tecnologia se discutia. Também entre os goleiros que criticavam a bola. E até as luvas.

Félix e Leão treinavam sem luvas. Mas o jovem goleiro palmeirense as usava em jogos. O veterano tricolor, não.

Havia a preocupação da comissão técnica quanto ao fato de Félix não querer usar luvas nas partidas.

Mesmo com os jogadores tendo folga em Guadalajara naquela quinta-feira, a maioria preferiu mesmo treinar fisicamente. Zagallo estava encantado com o comprometimento do grupo.

Helmut Schoen, treinador da Alemanha, vice em 1966, e que seria campeão mundial em 1974, apontava o Brasil como favorito ao título
de 1970.

Os pais de Tostão chegaram ao México. Trouxeram o doce preferido dele e o acompanhariam até onde fosse o Brasil, que estrearia em 3 de junho.

Carlos Alberto Parreira, auxiliar de preparação física, fazia o balanço de horas de treino da Seleção, desde a apresentação com João Saldanha, em 12 de fevereiro: seriam 112 dias de preparação até a estreia contra a Tchecoslováquia.

Três meses e três semana de trabalho.

Também por isso o Brasil de 1970 jogou demais. Um grupo de altíssimo nível treinando junto como se fosse em um clube.

Algo que deu muito certo no México. Mas não daria na Copa seguinte, na Alemanha.

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