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6/5/1970 - Brasil 3 x 0 Combinado de Guadalajara

Zagallo confirmava Rivellino como titular. Piazza cada vez mais firme na zaga. Rogério cada vez mais dúvida na ponta-direita. Seleção começava a se acertar no dia em que "ninguém trabalhou" no Jalisco para ver Pelé jogar.

Cartaz nas ruas de Guadalajara, ha 50 anos

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Mais de 75 mil mexicanos aplaudiram o Brasil nos 3 x 0 sobre o combinado de Guadalajara. A Seleção sentiu um carinho que talvez desde o Chile, em 1962, não recebia da torcida. O que era ótimo, ainda mais depois de tantas vaias no Brasil. Mas ainda não resolvia algumas questões táticas do time de Zagallo.

A troca de bolas foi muito lenta contra um rival muito recuado, desentrosado e limitado tecnicamente. Rogério e Tostão não atuaram bem. A longa ausência cobrava a conta do ponta e também do homem mais à frente do 4-3-3 de Zagallo.

O Brasil definiu o amistoso no primeiro tempo. Aos 34, Rivellino bateu uma falta que era tiro livre indireto direto pro gol. O goleiro Coco Rodríguez aceitou. O árbitro peruano Arturo Yamasaki, também. 1 a 0. Aos 41, Marco Antonio foi ao fundo como não tinha atacado uma semana antes contra a Áustria e encontrou Pelé: 2 a 0. Mais dois minutos, na única boa jogada de Rogério, ele rolou para Clodoaldo chegar batendo. 3 a 0.

No intervalo, como esperado, e como havia melhorado a Seleção no Maracanã, Jairzinho substituiu Rogério. Mas, desta vez, o time não melhorou como no 1 a 0. Também porque claramente todos estavam se poupando. Aos 21, Zagallo mexeu novamente. Joel no lugar de Piazza na quarta-zaga, e Dario de novo no lugar de Tostão, que ainda não tinha condição física para jogar 90 minutos depois de seis meses parado pelo descolamento da retina.

Ado só teve uma defesa difícil, e foi bem. (No jogo seguinte, Félix seria o titular no rodízio de Zagallo). Carlos Alberto, desta vez, apoiou bem menos que o usual. Pela esquerda, Marco Antonio voltou a jogar bem. Sobretudo no apoio. Brito repetiu a boa performance do Maracanã, antecipando-se bem em vários botes. Piazza foi outra vez muito bem, especialmente na cobertura ao avanço de Marco Antonio. Joel não entrou bem em seu lugar. Não era o mesmo zagueiro seguro das Eliminatórias. E parecia sentir a desconfiança de Zagallo.

No meio-campo, Clodoaldo corria e jogava por todos. E ainda fez um gol. Gérson se poupando claramente. E corretamente. Teve mais trabalho quando Piazza saiu, e com a notável inteligência tática, guarneceu mais a posição. Rivellino seguiu bem. Fez um gol aproveitando a força de sua patada, e de novo fechou o lado esquerdo sem a bola. Faltou abrir um pouco mais quando está com ela. Mas ganhou mesmo o lugar que era de Paulo César. Zagallo já admitia abertamente.

Na frente, Rogério não estava legal. Pouco arriscou lances de fundo. Quase sempre devolvia rápido a bola que recebia. Sem arriscar a coxa que era problema. Tostão também não esteve no nível habitual. Deu alternativas táticas abrindo espaços. Mas acabou muito longe da área.

Pelé correspondeu ao carinho da torcida. Quase fez um gol de calcanhar. Deu alguns passes assim. Além de dribles e jogadas plásticas. E também objetivas. De novo com muita disposição física. Fez por merecer os cartazes por Guadalajara. O povo foi mesmo ver Pelé.

Dario entrou bem de novo. Mesmo com o jogo definido e o Brasil mais trocando a bola, O GLOBO o definiu: "ele conseguiu se adaptar a um time que mais trocava bola".

O combinado mexicano tinha atletas do Guadalajara, Atlas e Oro.

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