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A manutenção do "status cor"

Punições diferentes escancaram prioridades na Bundesliga 

Por Péricles Bassols

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Faixa ofensiva ao presidente do Hoffenheim(Bundesliga)

Faixa ofensiva ao presidente do Hoffenheim | Bundesliga

A manutenção do "status cor"

A manutenção do "status cor"

A principal competição de futebol da Alemanha deu, neste final de semana, um exemplo de como se mantém o estado das coisas ou o "status quo" ou, ainda pior, o "status cor".
A prioridade e a desproporcional dosimetria em punir a agressão às instituições - e os poderosos homens brancos à frente delas - ficou escancarada na rodada deste final de semana na primeira divisão do Campeonato Alemão. 
Durante a partida entre Bayern x Hoffenheim a torcida de Munique, que era visitante, estendeu uma faixa contra o presidente de seus adversários, Dietmar Hopp. 
O protesto era contra uma mudança na gestão dos clubes, permitindo que o executivo possa controlar um time. Lá, apenas 49% das ações podem estar nas mãos do capital privado.
A frase era forte e dizia: "Tudo como o habitual: a federação não mantém sua palavra, e Hopp continua um filho da p...".

Nada habitual foi a atitude da arbitragem que, de forma diferente de outras situações de racismo, deu início ao protocolo da FIFA de três etapas. Veja o link abaixo:

https://youtu.be/5EAK4F4MyGk

Há duas semanas, em uma partida válida pela Copa da Alemanha entre Schalke 04 x Hertha Berlin, o defensor Jordan Torunarigha, do Hertha, foi vítima de insultos raciais. A arbitragem foi avisada e nada foi feito. Pior: de forma pouco empática, o árbitro ainda expulsou o zagueiro depois dele reagir às ofensas que vinham das arquibancadas. 
 

Tourunarigha sendo expulso pela Copa da Alemanha.

Para mudarmos de fato o estado das coisas, precisamos de atitudes e punições iguais por parte de quem legisla e de quem aplica as leis. Também é necessário vontade política e empatia para se colocar no lugar do outro. 
Vale para tudo! Não só para o futebol... Dirigentes não são diferentes de políticos e árbitros de juízes togados quanto às funções e atribuições.
Do contrário, continuaremos sendo uma sociedade desigual e perversa.
Manteremos o estado das coisas e das cores.

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