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A oficialização da volta do futebol carioca. Ainda sem data

Ferj realiza conselho arbitral com clubes e define passos para a volta do Campeonato Carioca. Protocolo entra na fase 2, mas ainda sem uma data exata para volta

Por Bruno Formiga

O futebol no Rio de Janeiro está oficialmente autorizado a voltar. Primeiro foi o governo do Estado liberando a atividade (sem torcida). Depois a federação e os clubes acertando o protocolo para a retomada.

Contra toda a lógica, a maioria envolvida decidiu que é hora de a bola rolar novamente. 

Tirando o fato de que o Rio ainda está com casos e mortes por Covid-19 em crescimento (e que futebol não deveria ser uma prioridade agora), há ainda um outro problema nessa decisão em voltar com os jogos: como os times menores vão arcar com todas as exigências?

Vale lembrar antes que o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) já havia se posicionado contra o protocolo criado pela Ferj e batizado de 'Jogo Seguro'. Já na fase 1, que abordava os treinos, o órgão classificou como "IRRESPONSÁVEL e TEMERÁRIA a possibilidade do retorno das atividades dos clubes cariocas".

Outro ponto importante: No Vasco, 30% dos jogadores testaram positivo. No Bangu, 31%. Números que só reforçam o risco. 

A reunião deste sábado
Dirigentes dos clubes, representantes do Sindicato dos Atletas (Saferj), da segurança pública (Polícia Militar) e da própria federação participaram de um econtro virtual para decidir os ajustes e exigências do protocolo na fase 2 (os jogos). A imprensa não pôde acompanhar a reunião, mas contou com um representante (Eraldo Leite, pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado do Rio de Janeiro). 

Detalhe: o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, não participou do conselho arbitral convocado pela Ferj. Marcelo Penha, coordenador administrativo, representou o clube.

Fluminense e Botafogo sempre se posicionaram contra o retorno do futebol no Rio de Janeiro, assim como o Sindicato dos Atletas. "Mesmo sendo contra, ali é uma forma de debate", explicou o presidente Alfredo Sampaio. "Debateu-se o protocolo sugerido e realmente são medidas interessantes, que se forem aplicadas irão ajudar", completou.

Ele acredita que os clubes menores terão condições de arcar com as exigências básicas nas dependências dos centros de treinamento e no transporte para as partidas.

Outros dirigentes ouvidos, porém, não têm a mesma certeza. O custo do protocolo "Jogo Seguro" é alto (ainda não totalmente calculado) e não dá pra garantir que todos conseguirão atender a tudo.  

Ficou claro também que ainda não há uma data resolvida para a retomada do Carioca 2020. Mas que todos os clubes estão autorizados a voltarem aos treinamentos. Foi determinado também que os jogos serão sem público e com o mínimo possível de pessoas nas delegações.

Ajuda da Ferj
Para minimizar os riscos, a Federeção tem ajudado a custear algumas exigências do protocolo para clubes com poucos recursos. Mas a compra de materiais como álcool em gel, luvas e máscaras de proteção, por exemplo, são de responsabilidade das diretorias dessas equipes. Testes e outros itens mais caros contam com suporte.

O Sindicato reforçou que é fundamental a ajuda da federação para que os atletas dos times em dificuldade sejam testados. O mesmo vale para profissionais de imprensa que vão trabalhar nos jogos (inicialmente pensados para o mínimo de estádios possíveis).

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