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A razão venceu: Tóquio-2020 está adiada

Vivemos um período que obriga ajustes de todos os setores e todas as pessoas na batalha por ficarmos vivos. Diante disso, modificar a Carta Olímpica e adiar a Olímpiada é uma decisão fácil e razoável a ser tomada.

Por Vitor Sérgio Rodrigues

A semana que passou trouxe o adiamento da Euro e da Copa América deste ano para o ano que vem, em razão da pandemia de Coronavírus. Na sequência desses dois movimentos, o Comitê Olímpico Internacional ficou pressionado, já que relutava de forma consistente em adiar a Olímpiada de Tóquio, que começaria no dia 24 de julho. Nesta terça-feira não houve jeito: a razão venceu e os Jogos Olímpicos de 2020 estão adiados, provavelmente também para o meio de 2021.

Por mais que o COI e o Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio quisessem forçar a realização da Olimpíada conforme o programado, não havia condição para tal. Por várias razões. Mas a principal: o nosso total desconhecimento de quando poderemos viver normalmente! Se não há previsão para podermos ir à padaria com normalidade, como podemos planejar realizar um evento que reúne centena de milhares de pessoas, de todos os cantos do mundo, em uma cidade, das mais povoadas do planeta, daqui a 100 dias? O adiamento é corretíssimo.

Falando em aspectos esportivos, a paralisação mundial por conta do Coronavírus já trouxe prejuízos que seriam difíceis de serem compensados em 2020. Há vários pré-olímpicos que não foram realizados e que precisariam ser feitos de forma urgente (de novo, sem um prazo no horizonte para isso ser seguro). Além disso, a preparação dos atletas está completamente comprometida. Ontem falava isso com o levantador Bruninho, em uma entrevista via Instagram do Esporte Interativo: se para uma pessoa “comum” ficar sem fazer exercício físico por dois, três dias já pesa, imagina para um atleta profissional... Por mais que cada um se esforce para se exercitar em casa, não é a mesma coisa.

A sensação é que foi contra a vontade deles, mas o COI e o comitê japonês deram uma prova de que entenderam a gravidade da situação e que todos nós precisamos nos adaptar diante do que vivemos. Ainda não está confirmado que os Jogos serão em 2021, mas se forem realizados no ano que vem, será algo contrário à Carta Olímpica, tradicionalíssimo documento que contém o conjunto de regras e guias para a organização dos Jogos Olímpicos, e para o comando do Movimento Olímpico. Lá está escrito que uma edição da Olimpíada não pode sair do ano em que ela deveria ser realizada. Ou seja, pela “letra fria” da Carta Olímpica, ou os Jogos de Tóquio precisariam ser realizados até o fim deste ano ou deveriam ser cancelados, provocando um prejuízo de alguns bilhões de dólares.

Vivemos um período que obriga ajustes de todos os setores e todas as pessoas na batalha por ficarmos vivos. Diante disso, modificar a Carta Olímpica é uma decisão fácil e razoável a ser tomada.

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