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A única torcida única possível: se torcidas se organizam em nome da democracia, por que não pela paz?

Manifestações na avenida Paulista. Mas quero falar só de futebol

Por Mauro Beting

Torcidas também podem e devem se unir pela paz e pelo respeito

Torcidas também podem e devem se unir pela paz e pelo respeito

Não vou falar de política.

Agora.

Vou falar de torcida. E não da torcida que é tão coletiva de tão individual que é. Não vou falar da esmagadora maioria de bem das torcidas pelos clubes. E não pelas próprias torcidas. E não vou falar também da imensa maioria de bem e de paz das próprias torcidas mais organizadas que muitos clubes. Mais profissionais que muitos dos clubes pelos quais elas torcem - embora às vezes torçam mais por elas mesmo nesse onanismo narcisista.

Torcidas uniformizadas que desuniformizaram os estádios e depois as ruas.

Mas reitero: a porção bélica e criminosa delas. Que não corresponde à maioria de paz. Mas liderança que não responde quando perguntada sobre a violência. Passando um pano. Ou botando várias pás de cal nos assuntos e em presuntos como alguns chamam.

Não quero falar de política aqui e agora. Porque já falo demais. Mais do que o ministro sem Educação do desgoverno. E parece que já falei mesmo demais. Mas dei meu lado e minha cara a tapa para quem ama porrada.

O que quero falar é da união histórica (não oficial) entre membros da Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde na avenida Paulista onde se celebram títulos e democracia. Golpes e goles.

Também com a presença de alguns são-paulinos e santistas, corintianos e palmeirenses só se uniram pela democracia. Ou contra o governo. Ou a barbárie. Ou, se quiserem, foi um "bando de petralhas esquerdas caviar mortadelas comunistas lacradores que vão pra Cuba com a Lei Ruanet do Chico Buarque com aqueles esquerdalhas da Joyce, do Reinaldo, do Dória, do Witzel" e de qualquer coisa à esquerda da extrema-direita. Inclusive a tal "extrema-imprensa" que até a Globo virou.

Prometi não falar de política.

Quero só de polícia. E de futebol.

Aproveitando o exemplo dos manifestantes de domingo: por que não se respeitam e não se toleram assim os torcedores nos campos e em todos os cantos do país?

Se conseguem sair de mãos dadas (e também na porrada) por uma ideia, por que também não se unem em um armistício? Paz ainda que armada. Ou com armação?

Sou contra a torcida única. Sempre. Por ser a institucionalização da intolerância. Por jogar debaixo do tapete a lama e o sangue.

Mas essa união faz a melhor força.

Não quero falar de política.

Mas adoraria um pacto de paz. Uma tabelinha respeitosa. Tolerância. Inteligência. Entendimento mínimo.

Respeito entre contrários.

Em nome de nossa paixão. E da razão coletiva.

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