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Artilheira da última Copa, Alex Morgan fecha novo contrato com garantia de pagamento durante e após a gravidez

Bicampeã olímpica terá tempo maior de preparação com o adiamento de Tokio2020 para 2021

Por Taynah Espinoza

“Quanto mais desafiado o sistema, mais ele mudará”. A frase é de Alex Morgan, bicampeã do mundo com os Estados Unidos e medalhista de Ouro nas Olimpíadas. Grávida de oito meses de seu primeiro filho, a jogadora acabou de renovar contrato com a sua patrocinadora com 18 meses de pagamento garantido, independente da performance da atleta neste período.

Morgan planeja plataforma para outras mulheres do esporte contarem suas histórias sobre maternidade. Foto: Reprodução Glamour

Essa é uma nova e importante política da Nike depois de algumas polêmicas envolvendo a maternidade e a empresa. Corredoras olímpicas como Alysia Montaño, Kara Goucher, Phoebe Wright e Allyson Felix reclamaram da prática da patrocinadora, ano passado. Wright chegou a dizer ao The New York Times que “ficar gravida é o beijo da morte de uma atleta feminina”. Goucher se sentia tão pressionada que diz não se perdoar até hoje. “Eu senti que tinha que deixar meu filho no hospital, apenas pra sair e correr, em vez de ficar com ele como uma mãe normal faria”, contou ao jornal americano.

Alex Morgan não precisará passar por isso. Em entrevista a revista Glamour, essa semana, a atleta comentou que espera que a próxima geração de mulheres tenha ainda mais apoio que ela. Também por isso, deve lançar ainda este ano uma plataforma onde mulheres no esporte poderão compartilhar suas histórias. E é isso que ela mesma fará, mesmo que, inicialmente, com dúvida se gostaria de tornar tudo isso público.

“Quero ser aberta sobre minha jornada porque quero que as mulheres sintam que não precisam escolher uma coisa ou outra. Quanto mais atletas do sexo feminino são mães em sua carreira, melhor – de Allyson Felix a Serena Williams, e minha de colega de equipe Sydney Leroux. Quanto mais desafiado o sistema, mais ele mudará”, disse a campeão mundial.

Com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio pra 2021 por causa do novo Coronavírus, Morgan terá 15 meses pra se preparar, e não mais três como teria se a Olimpíada seguisse na sua data inicial. O desafio era enorme e a jogadora sabia disso quando tomou a decisão de engravidar logo depois da conquista do Mundial, ano passado. É mais um dos recados claros que ela quer passar. “Não é como se as mulheres não pudessem fazer duas coisas – nossos corpos são incríveis – é o fato de que este mundo não está realmente preparado para as mulheres prosperarem”.

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