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Benfica 5 x 3 Real Madrid - bicampeão europeu em 1962

Grande final em Bruxelas. A segunda conquista portuguesa. A primeira com Eusébio e sempre com o monstro Coluna. O blog que já falou das finais europeias de 1960 e 1961 reconta a decisão de 1962

Por Mauro Beting

Duas equipes ainda no antiquado WM, em 1962

Duas equipes ainda no antiquado WM, em 1962

O Benfica conseguiu uma vitória impressionante contra o Barcelona no ano anterior, em Berna. Teve muita sorte. Como qualquer vencedor. E se havia alguma dúvida sobre a qualidade encarnada, o bi europeu benfiquista é para fechar o bico. E bater palmas. Até porque conquistado contra o Real Madrid que era penta.

E continuou penta contra o maior dos Benficas.

O de Coluna. Germano. Costa Pereira. E, agora, também de Simões. E da Pantera Negra Eusébio, com apenas 19 anos.
O timaço que venceu um Madrid com Di Stéfano e Puskás. Mas com os anos pesando.

E deu Benfica.

Merecidamente. Na “Noite dos Pontapés Distantes”.

Um jogo de muitos gols, e muitos gols de fora da área – metade deles.

Ao final de mais um jogaço decisivo da Copa dos Campeões da Europa, como então era chamada, Eusébio correu para perto de seu maior ídolo, o hispano-argentino Di Stéfano. Pediu e ganhou a camisa azul usada pelo gênio. Sem a camisola encarnada, logo Eusébio foi alçado pelos companheiros e torcedores na celebração que tomou conta do gramado. Com a mão direita, Eusébio socava o ar, ensandecido; com a esquerda, fazia volume dentro do calção com o maior troféu que ele guardou, na sua casa, até a morte. A camisa do Real Madrid batido sem dó.

LOCAL – Estádio Olympisch, Amsterdã, Holanda. 2 de maio de 1962. 65 mil presentes.

OS GOLS DA FINAL DE AMSTERDÃ
http://www.youtube.com/watch?v=IhLAn5oGHok


Benfica atuou num WM (3-2-2-3) torto, com o meia-direita Coluna mais à esquerda, próximo do meia-atacante (mais atacante que meia Eusébio), um autêntico ponta-de-lança daqueles anos. Do estilo comparável ao de Pelé; Real Madrid também no WM, mas com Di Stéfano tão atrás que era quase um esquema com três volantes. Duas variantes interessantes do moribundo WM de então.

COMEÇOU O JOGO – De camisas escuras, mais para o lilás, o Real Madrid ataca à esquerda da cabine de TV; de uniforme tradicional encarnado, o Benfica vai ao jogo à direita.

2min – Di Stéfano mergulha de peixinho e quase abre o placar depois de falta cruzada da direita. Desatenção do excelente zagueiroi-central português Germano. Real Madrid começa com tudo, em partida nervosa, com passes errados e entradas duras.

4min - O excelente, rápido e driblador ponta-esquerda Simões bate fechado, da esquerda, um escanteio com o pé direito (prática pouco comum, então). Melê na área até a boa saída do goleiro madridista Araquistáin – que não passava muita segurança à equipe.

6min – Simões driblou dois e só foi parado em boa defesa do goleiro rival. Benfica passa a dominar o jogo. Está bem melhor do que na final passada. Também porque é um time muito melhor dotado tecnicamente, com as entradas de Eusébio e Simões, e a manutenção de Coluna, Germano e José Augusto. Além do respeito e do entrosamento adquiridos. Do outro lado, é um Real Madrid envelhecido e tecnicamente enfraquecido.

7min – Coluna tenta sair pela direita mas é desarmado por Di Stéfano. O craque argentino é cada vez menos um centroavante (que é Puskás, nesta final na Bélgica), e cada vez mais um armador pela esquerda. Para não dizer um terceiro homem de marcação no meio. Impressionante a disposição do veterano argentino. Mas ele não só ajuda atrás. Também arma à frente. La Saeta Rubia sai em velocidade para o contragole, faz bela tabela com Puskás, e só não abre o placar porque, para variar, o não menos irrepreensível Germano aparece para salvar a zaga lusitana.

8min – Ele fazia os 100 metros em menos de 11 segundos. E fez algo parecido ao sair muito atrás do lateral-direito Mário João e chegar muito à frente dele. O ponta-esquerda Gento era demais. Em tudo. Estava impedido na sequência do bom lance armado por Di Stéfano.

15min – Enfim aparece o talento e a força de quem muito se esperava em Bruxelas. Eusébio pegou um rebote na área mas bateu mal, com muita força, por sobre a meta. Todo o lance foi do gigantesco Coluna, que teve de se readaptar no esquema, um tanto mais atrás e à direita, para dar suporte à presença de Eusébio, quase como quarto atacante do Benfica. Jogo igual. E bom. Puskás começa a aparecer, recuando para armar o jogo e lançar os pontas Tejada e Gento. Porque Di Stéfano segue longe da área rival. Talvez para ajudar os dois médios defensivos merengues (Felo e Pachín), que não são grande coisa, e têm muito trabalho com Eusébio, Coluna e mais a entrada por dentro do ponta-direita José Augusto. Para piorar, Del Sol é outro de discreta atuação na meia direita merengue.

17min – Primeira falta do jogo. Felo, médio-direito, dá uma senhora porrada em Coluna. Hoje, caso para amarelo. Benfica segue um tanto melhor no jogo, até pelo recuo e excessiva lentidão merengue.

17min – GOL. 1 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. PÉ ESQUERDO. FORA DA ÁREA. Estava lento o Madrid? Pois é… Mário João cruzou aquela falta feia sobre Coluna na área espanhola. Zaga corta, rebote na intermediária para Tejada tocar de primeira, de puxeta, para Di Stéfano; o gênio argentino lançou por elevação o Major Galopante Puskás, ainda no próprio campo. Ele partiu em condição legal, aproveitando-se da marcação alta da zaga portuguesa. Sozinho, Puskás chegou até praticamente a marca do pênalti, para bater cruzado, de canhota, no canto de Costa Pereira, que demorou a sair, e ainda saiu pouco, até a linha da pequena área. Como na final de 1960, o rival tinha a bola, as melhores chances, mas bastou um vacilo para o pentacampeão mostrar sua força diante do então campeão europeu.

23min – GOL. 2 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. ESQUERDA. FORA DA ÁREA. Falta na intermediária de ataque batida rapidamente para Puskás. Ele recebe sem a marcação nem do médio-direito Cavém (que havia sido ponta-esquerda um ano antes, na decisão de Berna, e que jogou em 9 posições pelo clube), nem do médio-esquerdo Cruz. Aí fica fácil. Ainda mais para o destrutivo talento do craque hispano-húngaro. Antes da chegada do excelente central Germano, Puskás avança e bate cruzado, no canto esquerdo de Costa Pereira. Ele foi mal e foi tarde à bola, que ainda quicou no gramado e o matou de vez.

24min – Benfica não merecia estar perdendo por 2 a 0. E começou a domar a bola e o jogo com Coluna. Passou por três, na raça, força e técnica. Time português se atira ao ataque, e Real Madrid recua todo.

25min – GOL. 1 X 2 BENFICA. ÁGUAS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. O popular "gol na hora certa". Falta na meia esquerda, Coluna rolou para Eusébio chegar de longe e mandar ver a perna direita na bola. Ela bateu na trave esquerda e, no rebote, meio sem jeito, Águas diminuiu o placar, em condição legal, também se aproveitando do goleiro que foi tarde para a bola. Como de costume, os flashs dos fotógrafos atrapalhavam a visão dos atletas. E não se coibia a prática.

26min – Um jogaço, o Benfica é todo ataque, o Real Madrid se defende como dá. E como dá gosto de ver a aplicação tática de Di Stéfano! Jogou como poucos na história, e marcou como raríssimos entre os craques de ataque.

28min – Benfica marca pressão lá na frente, no ataque. Eusébio atua mais à esquerda, próximo ao atacante Águas, e fazendo eventualmente sensacional parceria com o ponta Simões. Coluna recua para organizar o time desde atrás, e dar um pé aos médios Cavém e Cruz. Só dá Benfica.

30min – Eusébio vem para o jogo e arruma contragolpe com Simões. Na tabela, o Pantera Negra manda por sobre a meta. O médio-direito espanhol Felo não consegue conter Eusébio. E não apenas porque não era grande coisa. Também porque Eusébio era demais.

31min – Mais um passe errado de Gento. O 2 x 1 é muito para a atuação madridista.

32min – Puskás se atira mais uma vez tentando cavar faltas. Mesmo batendo mais que o rival, o Benfica também joga mais.

35min – GOL. 2 X 2 BENFICA. CAVÉM. CANHOTA. MEIA DIREITA. Cavém toca para Águas chutar de trivela. Eusébio ajeita no peito e recua para Cavém acertar belo chute no ângulo direito da meta de traves quadradas do Heysel. Goleirinho espanhol foi andando até a bola… Festa no estádio de Bruxelas pelo empate português. Um gol mais que justo.

34min – Costa Pereira continua mal no jogo. Sai (mais uma vez) sem necessidade da meta (e quando poderia ter fechado o ângulo para Puskás, no primeiro gol,nada fez…), e toca a mão na bola, fora da área. A tempestade de gols na Bélgica também se explica pela má jornada dos dois goleiros. O espanhol também sai muito de sua meta. E muito mal.

36min – Gento, livre pela esquerda, pega mal na bola, depois do primeiro bom lance do meia Del Sol.

38min – GOL. 3 X 2 REAL MADRID. PUSKÁS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. Contragolpe de Puskás, ainda na intermediária. Tejada tabelou com Felo, hoube um bate-rebate, e a sobra com Puskás, que mandou um canhotaço indefensável para Costa Pereira. Gol de centroavante, de artilheiro, de craque. Golaço num jogaço.

40min -Lindo chapéu de Gento em Mário João. Para delírio dos fotógrafos e, provavelmente, dos poucos patrocinadores de placas estáticas. Entre eles, Pepsi e Martini.

41min – Gento escapa pela esquerda e cruza no segundo pau para Di Stéfano cabecear na “barra do Benfica”, como se desesperou o narrador português. Melhora bastante o Real Madrid no fim da ótima primeira etapa.

INTERVALO – Grande e equilibrado primeiro tempo. Benfica teve mais a bola, jogou melhor a maior parte do tempo, mas o Real Madrid foi mais contundente e preciso. Primeiro tempo nota 8. Puskás, o melhor (nota 10), Simões (9), o melhor benfiquista.

PLACAR VIRTUAL 1o.TEMPO – REAL MADRID 7 X 5 BENFICA

SEGUNDO TEMPO

2min – Melhora o Benfica. Também pelo crescimento técnico de Coluna e Simões, dois monstros. A blitz faz com que o Real Madrid só consiga dar “pontapés de baliza”, os tiros de meta.

5min – Gento corre e recebe algumas bolas longas desde a defesa. É pouco para a enorme pressão benfiquista. Um time melhor que o campeão de 1961. Muito melhor.

5min – GOL. 3 x 3 BENFICA. COLUNA. PÉ DIREITO. Puskás tenta dar um pé atrás mas tem a bola tomada por Coluna. Ele avança pela meia direita e manda um “pontapé fortíssimo”, na rede lateral direita do goleiro, que caiu tarde na bola. Justo. Para não escrever que seria ainda mais se tivesse virado o time português.

6min – Falta feia do lateral-esquerdo Ângelo sobre o bom ponta-direita Tejada. Hoje seria lance para cartão amarelo.

8min – Coluna é o senhor do gramado. Joga demais, em todas as áres e cantos do campo. José Augusto sai da direita e articula por dentro, e só dá Benfica, com o Real Madrid não conseguindo articular o contragolpe.

10min -Puskás esquecido na frente. Mas faz belo lance com Gento, que passa por dois, só que o disperso Del Sol desperdiçou.

12min - Melê na área depois de lindo lance de Zé Augusto. Simões só não virou o jogo porque a zaga salvou. Parece pregado fisicamente o Real Madrid.

14min – Num lance isolado, o lateral-direito Casado cai e se machuca.

16min – Coluna desarma Del Sol, dribla um rival, e lança Simões que voa para cima do cambaleante Casado. Mais que nunca o caminho é pela esquerda. Não havia substituição à época.

16min – Benfica prejudicado pelo árbitro. Gol mal anulado de José Augusto por impedimento do ataque benfiquista. Belo lance de Eusébio. Lance era do árbitro, que deixou o bandeirinha 2 na linha de fundo. Mais um erro do sempre complicado árbitro holandês Leo Horn.

17min – Pênalti muito mal marcado a favor do Benfica. Quase tão absurdo quanto o marcado a favor do Real Madrid na decisão de 1960. Mário João desarmou Gento e tocou para Eusébio, rente à linha lateral direita, escapar desde o próprio campo, passar por Di Stéfano, desacelerar como craque que era, entrar na área pela direita e se atirar sobre o lateral-esquerdo Miera. O juizinho Leo Horn caiu na manha da Pantera Negra de Moçambique e marcou um pênalti absurdo. Não foi nada. Alias, quase Eusébio se machucou ao cair. Hoje, ainda seria amarelo por simulação. Não adiantaram os merengues reclamarem muito – para a época.

17min – GOL. 4 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. PÊNALTI. PÉ DIREITO. No canto direito do goleiro, na barra de sustenção. O goleiro madridista caiu para o outro lado. Apesar do pênalti inexistente, virada merecida.

20min – Primeiro lance do nível do Real Madrid, com jogada envolvendo Puskás e Di Stéfano, que bateu de canhota, por cima. Primeira boa chance espanhola na segunda etapa. Mérito também da marcação mais adiantada e forte de Cavém em Di Stéfano.

21min – Falta bizarra do central Santamaría, que meteu a mão na bola na entrada da área. Parece mais que perdido o Real Madrid.

21min – GOL. 5 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. FALTA. PÉ DIREITO. Coluna rola para Eusébio encher o pé direito e acertar rasteiro a mesma barra de sustenção do canto direito da meta rival. Ninguém marcou Eusébio no lance manjado do Benfica. Só Di Stéfano tentou chegar perto.

22min – Eusébio voa em campo. Passou por três e só parou no goleiro rival. Só dá Benfica. Cheiro de goleada em Bruxelas.

23min – Casado segue mancando em campo. Benfica realmente com praticamente um a mais.

24min – Gento acerta uma bomba, de sem-pulo, para ótima defesa de Costa Pereira. Apenas a segunda chance do Real no segundo tempo. São 4 oportunidades do Benfica.

25min – Não dá mais para Casado. Real Madrid com 10. O médio-direito Felo vira lateral pela direita. Del Sol vira um médio pela direita, dando um pé ao médio-esquerdo Pachín. Di Stéfano fica à frente deles, como vértice de um triângulo. Puskás segue como centroavante. O WM (3-2-2-3) vira algo próximo a um 3-3-3. Ou 3-2-1-3.

Com um a menos, como o Rea Madrid terminou o jogo

26min – “Grandes combinações do Benfica”, exulta o narrador português. Com razão. Joga muito o campeão português. Ainda mais com a movimentação de Eusébio, agora ocupando mais o lado direito da armação, dando mais espaço e saída para o gigante Coluna.

28min – Di Stéfano tentou cavar um pênalti. Na confusão estabelecida, o árbitro tentou afastar o bolo de jogadores e o apito saiu voando da mão dele. Del Sol estava esperto e o devolveu ao juiz.

30min – Simões joga e dribla muito e apanha demais. Juizão nada marca. E a partida fica ainda mais violenta, também por conta do mau apito.

32min – Puskás recebeu livre de Di Stéfano e perdeu boa chance. Como destacou o narrador português, “La Saeta Rubia (a Flecha Loira) é um poço de energia”. Não para Di Stéfano. Mas o time dele, sim.

34min – Gento também não para. Corre demais. Mas a ausência de Casado, com um a menos diante de um gigante como o Benfica, deixa o envelhecido Real Madrid prostrado.

37min – Mais uma bobagem da muralha uruguaia Santamaría deixa Coluna pronto para marcar. Mas goleiro merengue salva gol certo.

44min – Cinco fotógrafos tiram fotos do banco do Benfica, esperando de costas para o gramado a festa que acontece segundos depois, quando o árbitro toma a bola antes que o goleiro Costa Pereira pudesse bater um tiro de meta, iniciando a invasão do gramado.

FIM DE JOGO – Uma bela atuação encarnada na segunda etapa, criada por Coluna e executada por Eusébio garante a justa festa do Benfica, a despeito do quarto gol nascido em pênalti inexistente (compensando o gol mal anulado encarnado, no lance anterior). O melhor e mais jovem time venceu em Bruxelas.

PLACAR VIRTUAL 2O. TEMPO – BENFICA 5 X 3 REAL MADRID

PLACAR VIRTUAL – BENFICA 10 X 10 REAL MADRID

ATUAÇÕES

BENFICA – Um primeiro tempo com marcação deficiente, mas com grande qualidade na armação e na intensidade do jogo. Coluna por vezes disputava o mesmo espaço com Eusébio; mas, na segunda etapa, com o definhamento físico do Real Madrid, e com a perda de Casado, a tarefa ficou facilitada para o melhor time da história benfiquista. NOTA 9

COSTA PEREIRA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Uma grande atuação. Se demorou a sair no primeiro gol merengue, onde também pouco poderia fazer, foi essencial na sequência da partida. NOTA 8
MÁRIO JOÃO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Vida dura ter de marcar Gento. Mas, na primeira etapa, até que não se saiu mal. NOTA 5
GERMANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um dos maiores zagueiros da história do futebol europeu. Se teve problemas com Puskás no primeiro tempo, na segunda etapa garantiu a invencibilidade da meta lusitana. NOTA 8
ÂNGELO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Deu pouco espaço ao perigoso Tejada. NOTA 6
CAVÉM – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um golaço no primeiro tempo, e marcação eficiente sobre Di Stéfano na segunda etapa. Foi ponta-esquerda em 1961, e médio-direito em 1962. NOTA 8
CRUZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Del Sol não deu muito trabalho. Também por isso poderia ter sido menos discreto o médio-esquerdo. NOTA 6
COLUNA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). O Monstro fez de tudo. No primeiro tempo, um tanto menos. Como Eusébio atuou mais à esquerda, teve menos espaço. Na segunda etapa, rodou mais. E, de novo, foi seminal. NOTA 9
EUSÉBIO – A Pantera Negra de Moçambique (então colônia portuguesa, quando ele nasceu, em 1942), foi o novo Pelé da Copa de 1966, quando terminou em terceiro lugar, defendendo Portugal. Ponta-de-lança (e não centroavante), foi artilheiro da competição. Se não chegou a tanto quanto o E.T. Pelé, Eusébio não esteve tão longe. Até pela posição, estilo, instinto, força, velocidade (fazia os 100 metros em 11 segundos) e técnica. Um assombro. Craque europeu de 1965, na decisão de 1962 tinha apenas 19 anos. Para o excelente ponta-esquerda Simões, “com Eusébio em campo o Benfica poderia ter sido tricampeão europeu; sem ele, talvez não tivéssemos sido nem campeões nacionais”. Eusébio quase jogou no São Paulo, que não o quis contratar, em 1960. Bauer, o Monstro do Maracanã, que o havia visto atuar em Moçambique, então o indicou ao amigo Béla Guttman, que trabalhou no Tricolor, em 1957. No Benfica jogou de 1960 a 1975. Na seleção portuguesa, de 1961 a 1973. Na decisão, definiu tudo no segundo tempo, com seu chute forte e chegada à área impressionantes. Era um assombro pela objetividade e ofensividade. NOTA 9
JOSÉ AUGUSTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Não tão brilhante quanto na decisão de Berna, mas ainda muito importante taticamente. Não era o “Garrincha português” como diziam. Mas era um baita jogador. Moderno até hoje. NOTA 8.
ÁGUAS - (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Meio tosco, mas bom de área. Destoava pela qualidade do restante da formação ofensiva. NOTA 7
SIMÕES – Ponta-esquerda brilhante. Veloz, técnico, driblador, inteligente, de bom chute e faro de gol. Completo. Foi Benfica de 1961 a 1975. Tinha apenas 18 anos na decisão de Amsterdã. Jogou de 1962 a 1973 por Portugal. Fez o primeiro gol contra o Brasil na vitória por 3 x 1, na Copa de 1966, e não pôde ajudar os Tugas na decisão da Minicopa de 1972, vencida pela Seleção de Zagallo e Jairzinho. Foi o melhor do Benfica no primeiro tempo. NOTA 9
BÉLA GUTTMAN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Mais do mesmo mago em Amsterdã. Fundamental no intervalo para melhorar a marcação e ganhar o jogo, abusando da qualidade e juventude da equipe. NOTA 8

REAL MADRID – Nenhum time com Puskás e Di Stéfano pode ser desprezado. O Benfica jogou tanto que superou um rival com Puskás marcando três gols, e Di Stéfano jogando tanto, marcando tanto, fazendo tudo. Mas até Gento, no primeiro tempo, não foi o craque que foi. Uma equipe envelhecida, e com uma defesa sem muita qualidade.

ARAQUISTÁIN – O goleiro merengue pulava tarde, não pulava… Basco, jogou apenas por dois anos pela seleção espanhola. Foram 7 anos de Real Madrid, com seis títulos nacionais conquistados. NOTA 5
CASADO – O lateral-direito merengue atuou por 10 anos do Real Madrid. Uma só vez defendeu a Fúria. Na decisão de Amsterdã, fez número em quase todo o segundo tempo, por se lesionar sozinho. Antes disso, levou um baile de Simões. NOTA 4
SANTAMARÍA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Até o grande zagueiro central uruguaio não foi o de sempre. Se não teve tanto trabalho com o centroavante Águas, sofreu demais com Eusébio. NOTA 6
MIERA – O lateral-esquerdo madridista atuou 8 anos pelo clube, e fez um só jogo pela seleção. Foi treinador de 1974 a 1998. Treinou a seleção espanhola em 1991, e foi campeão olímpico em 1992, em Barcelona. Em campo, um bom primeiro tempo, tapando José Augusto, também pela impostação física. Depois, foi atropelado pela avalanche encarnada. NOTA 5
FELO – Foram quatro anos de Real. Em Amsterdã, foi médio direito e, depois, com o problema de Casado, virou lateral-direito. Pelo sacrifício, NOTA 5. Até porque tentar marcar Eusébio, com Coluna vindo de trás, no primeiro tempo, e, depois, Simões, é tarefa hercúlea. Mas, na primeira etapa, mais à frente, deixou espaço demais para Eusébio.
PACHÍN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Lateral-esquerdo em 1960, foi o médio-esquerdo em 1962. Se só foi sofrer com Eusébio na segunda etapa, não aportou grandes soluções. NOTA 5
DEL SOL – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Partida discretíssima. Teria de acompanhar Coluna. Não o fez. E pouco ajudou na armação com sua boa dinâmica. NOTA 5
DI STÉFANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Um monstro. Até porque foi muito mais um meia-esquerda que o centroavante que rodava o campo. Para não dizer que não foi mesmo um terceiro volante. Na segunda etapa, teve dificuldades com Cavém, que o marcou melhor. NOTA 7
TEJADA – Nove anos de Barcelona (incluindo um gol na inauguração do Camp Nou, em 1957) antes de passar três temporadas em Madri, e ainda encerrar a carreira no Espanyol. Jogou apenas 8 vezes pela Espanha, marcando 4 gols (todos num 6 x 2 contra a Irlanda do Norte). Era um ponta-direita goleador, de bom drible e velocidade. NOTA 7.
PUSKÁS – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Outro gênio. E goleador. Foi centroavante em Amsterdã. E foi nota 10 no primeiro tempo. Na segunda etapa, isolado pelo time, poderia ter assumido mais a bronca e responsabilibade. Mas fica, claro, com a NOTA 9.
GENTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Jogou pouco do muito que sabia na primeira etapa. No segundo tempo, o craque de sempre. NOTA 7
MIGUEL MUÑOZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Montou e remontou um senhor time. Talvez pudesse ter caprichado mais no sistema defensivo. Algo que sabia fazer como homem de meio-campo, enquanto jogador.

LEO HORN (Holanda) – Árbitro anulou um gol legal do Benfica e, logo depois, criou um pênalti para Eusébio. Mal no aspecto disciplinar. NOTA
3
PARTIDA – Outro jogo espetacular. Oito gols, Eusébio + Coluna x Puskás + Di Stéfano. Um show. NOTA 9

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