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Cássio e a defesa eterna

Lance histórico completa oito anos. Uma defesa decisiva, cara a cara com Diego Souza e com os traumas seguidos em Libertadores. Ali o Corinthians rumava ao título.

Por Bruno Formiga

Cássio é o maior e mais vencedor goleiro da história do Corinthians. A semente deste gigantismo faz aniversário. Foi plantada no Pacaembu, naquele 23 de maio de 2012, com uma defesa difícil, decisiva e para sempre. 

Diego Souza cortou um cruzamento de Alessandro exatamente aos 17:40 do segundo tempo. Um raro momento de exposição do Corinthians seguro de Tite. Dali por diante o atacante correu sozinho por seis segundos. Foram 20 passos com a bola dominada e tempo pra pensar. Muito tempo.

Do outro lado do gramado estava Cássio, também sozinho, assistindo tudo e decidindo o que fazer. O destino estava vindo rápido. Ou era decepção. Ou glória.

Frente a frente com Diego Souza, o então camisa 24 (sim, ele jogava com esse número no início) era a única salvação de um bando inteiro acostumado a decepções na Libertadores. A última linha de esperança do Corinthians era formada agora por um homem só.

E Cássio decidiu. Decidiu esperar, esperar. E esperar. Até o limite.

Transformou o lance em um pênalti em movimento. Obrigou Diego a escolher um lado. E pulou nele. Rápido, certeiro.

O toque de Cássio foi tão sútil que narradores (e não foram poucos) pensaram que o chute tinha ido pra fora. Só descobriram a defesa (que a partir dali já era eterna) no replay.

Daquele lance até o final, o Vasco murchou. O Corinthians cresceu. Acabou ganhando com um gol de Paulinho aos 42 minutos. Outro lance que nunca morrerá.

Mas a imagem daquela Libertadores redentora é de uma muralha amarelha esticada no chão e tocando a bola o suficiente para mandar temporadas de tristeza para longe. O título nascia ali e ficava bem real. O Corinthians voltava às semifinais do torneio depois de 12 anos.

Cássio começava a estabelecer uma trajetória de segurança, regularidade, grandes atuações e muitos títulos. Aquela noite no Pacaembu é o início de tudo. O goleiro-ídolo sabe exatamente o dia, hora e lance em que nasceu para a historia.

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