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Com punição ao City, Uefa manda recado para o que entende como ‘receitas maquiadas’

A bomba detonada na tarde desta sexta-feira: o Manchester City foi punido pela Uefa por desrespeitar o Fair Play Financeiro e deverá ficar fora de duas edições da Champions League.

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Sheffield United v Manchester City - Premier League(2020 Getty Images, Getty Images Europe)

Sheffield United v Manchester City - Premier League | 2020 Getty Images, Getty Images Europe

O Manchester City está punido pela Uefa por infringir o Fair Play Financeiro, que é um conjunto de medidas que impõe limites para que um clube europeu gaste mais dinheiro do que arrecade. Nesta sexta-feira, a Uefa anunciou que o City tem que ficar fora de duas edições da Champions League (ou qualquer outra competição europeia) por não ter cumprido essas regras, além de pagar 30 milhões de euros de multa.

O Manchester City estava sendo investigado nos últimos 18 meses pelos balanços apresentados de 2012 a 2016. O principal problemas apresentados neles foram receitas de patrocínios e acordos comerciais muito “acima do padrão de mercado”. Ou seja, segundo os argumentos da Uefa, para justificar os seus gastos, o City colocou uma receita com o patrocínio de camisa e o naming rights do estádio com valores inflacionados, já que esses dois acordos eram com empresas do Abu Dhabi Group, grupo do Qatar que também é dono do clube. As chamadas "receitas maquiadas".

Com isso, a Uefa deixa claro que não vai aceitar o artifício de inflar as receitas para justificar os gastos, freando a entrada de grupos com “dinheiro quase infinito” no futebol europeu, como aconteceu mais notadamente com o Chelsea, o City e o PSG na década passada.

O Manchester City já tinha sido punido por burlar o Fair Play Financeiro em 2014 (quando foi punido junto com o PSG). Entre outras penas, o City teve que pagar 60 milhões de euros, teve suas contratações na janela limitadas, além de só poder inscrever 25 jogadores na Champions League. O fato de ser reincidente, somado a, segundo a Uefa, não ter ajudado as investigações, fez com que a pena agora fosse bem mais dura.

O City soltou uma nota oficial onde diz que é inocente, se julga ser vítima de perseguição pela Uefa (alega que o responsável pelas investigações já dizia que o clube deveria ser punido antes mesmo delas começarem) e informa que vai recorrer à Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, para anular essas punições.

A atual edição da Champions League está nas oitavas-de-final e o City vai continuar disputando normalmente a atual edição da Liga dos Campeões (enfrenta o Real Madrid daqui a duas semanas). Com o clube entrando no CAS, não deverá haver tempo hábil para o caso ser julgado até o início da edição 2020-2021 da Champions League (ou de qualquer outra competição europeia). Neste caso, o City poderia disputar a próxima Champions (caso se classifique – atualmente é o segundo colocado do Campeonato Inglês e teria a vaga), até que o CAS defina a questão.   

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