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Como julgar quando jogadores não querem diminuir seu salário pelo Coronavírus?

Realidades diferentes precisam ser identificadas antes de apontar o dedo

Por Taynah Espinoza

O novo Coronavírus parou os campeonatos de futebol de praticamente todos os cantos do mundo. Competições suspensas por tempo indeterminado, atletas treinando sem saber quando de fato vão voltar a jogar, clubes sem receita por um período indefinido. O cenário é absolutamente único. Por isso, lidar com a questão é tão difícil.

No Brasil, a Comissão Nacional de Clubes propôs aos atletas das Séries A, B, C e D férias antecipadas e uma diminuição salarial de 25%, negada pelo Sindicato dos Atletas. Quando a gente pensa rápido, logo vem a cabeça: “Mas esses jogadores recebem tão bem. Vai fazer falta esse valor?”. Depende.

Fazer a mesma proposta pra jogadores da Série A e da Série D é inacreditável. As realidades são muito diferentes. Vou além: fazer essa proposta pra um atleta que tem recebido em dia é uma coisa. Pra um jogador que não recebe há meses é outra.

Na Suiça, o FC Sion demitiu nove jogadores depois deles recusarem um corte salarial por conta do Coronavírus. "Não faz sentido manter jogadores que não querem se esforçar quando todos os demais se esforçam. Eu disse a eles que seu salário (reduzido) é praticamente o salário de duas ou três enfermeiras que trabalham duro para salvar vidas hoje", disse o presidente do clube, Christian Constantin.

A declaração é pesada e pode até fazer o mundo do futebol refletir. Ou pelo menos entender que, além de atletas, jogadores também são exemplos, são ídolos, e por isso, muitas vezes recebem salários astronômicos. E aí cabe a eles entender o papel que podem exercer na sociedade. Só que aqui, chegamos num outro problema: a educação familiar e escolar que muitos deles nem tiveram acesso.

Ou seja, julgar realidades diferentes de longe é sempre complicado.

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