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Como manter o Super 8 da Champions sem aumentar datas e sem diminuir jogos

A pandemia obrigou a Uefa a inventar a fase final da Champions em ritmo de Copa do Mundo, mas deu tão certo que é possível ser mantido

Por Vitor Sérgio Rodrigues

PSG se deu bem com o novo formato da Champions e voou para a final

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Bayern de Munique e PSG se enfrentam no próximo domingo, com cobertura total do Esporte Interativo, para decidir o campeão da Champions League 2019-20, a temporada da pandemia de Coronavírus. Por causa da pandemia, essa Champions foi muito diferente, decidida como se fosse uma Copa do Mundo, com os oito quadrifinalistas reunidos em Lisboa. Em um formato que deu muito certo, com jogos únicos, empolgantes, decisivos e num curto espaços entre eles! E que pode perfeitamente ser mantido, mesmo após a Covid-19 ser controlada.

A avaliação geral é que esse formato de quartas-de-final e semifinais em jogo único, em dias seguidos, com todos os times num mesmo local para decidirem a Champions deu muito certo. Mesmo os jogos tendo sido disputados com portões fechados, como medida de segurança sanitária. Embora parece muito difícil manter essa configuração para os próximos anos, não é. É possível manter esse “Super 8” sem aumentar uma data sequer na Champions!

Atualmente, a Champions League é disputada em 15 datas, contando a partir da primeira rodada da fase de grupos, dessa forma (lembrando que o conjunto de jogos terça e quarta configura uma data):

- 6 datas da fase de grupos
- 4 datas para as oitavas-de-final
- 2 datas para as quartas-de-final
- 2 datas para as semifinais
- 1 data para a final
Total: 15 datas

Nesta temporada, por conta da pandemia, a Champions League teve seis jogos a menos (quatro de quartas e dois de semifinal), sendo jogada em 13 datas apenas. Isso pode ocasionar prejuízos, já que os contratos de patrocínio e de transmissão foram fechados com 15 datas de jogos. Num cenário com a Covid-19 presente, as multas podem ser negociadas, mas em situação de normalidade, não dá para diminuir o número de datas. Então, a sugestão para manter o Super 8 seria recriar a segunda fase de grupos!

Das temporadas 1999-2000 até 2002-2003, a Champions League foi disputada tendo uma segunda fase de grupos após a conclusão da primeira. Os dois primeiros de cada um dos oito grupos eram divididos em quatro grupos de quatro, com os dois primeiros se classificando para as quartas-de-final (não havia oitavas). Para o Super 8 de Champions ser viável, seria necessária retornar com a segunda fase de grupos. Se houvesse a segunda fase de grupos na atual edição, os grupos ficariam assim:

 

Grupo 1
Juve
Valencia
Tottenham
Dortmund

Grupo 2
PSG
Bayern
Chelsea
Atlético

Grupo 3
City
RB Leipzig
Real Madrid
Napoli

Grupo 4
Barcelona
Liverpool
Atalanta
Lyon

A segunda fase de grupos também seria jogada em ida e volta, em seis datas, e seria vital para que se cumprissem as 15 datas regulares da Champions League. Além disso, manteria os 6 mandos de campo que os dois finalistas têm hoje no torneio (jogar em casa na Champions é um reforço gigantesco no cofre dos clubes), além de dar seis jogos em casa para 16 dos 32 clubes do torneio (todos que disputa a segunda fase de grupos). Além disso, seriam mais jogos grandes no torneio, como dois Barcelona x Liverpool ou como o Grupo 2,

envolvendo PSG, Bayern, Chelsea e Atlético de Madrid...

Após a segunda fase de grupos, com os dois primeiros de cada chave chegando às quartas-de-final, esses oito clubes iriam para o país-sede da fase final, como Lisboa foi nesta temporada. E aí começariam as quartas, semi e final em jogos únicos. Assim, a distribuição de datas da Champions ficaria assim:

- 6 datas da primeira fase de grupos
- 6 datas da segunda fase de grupos
- 1 data das quartas-de-final (considerando dois jogos por dia)
- 1 data das semifinais
- 1 data da final
Total: 15 datas

Ou seja, é perfeitamente possível que a experiência do Super 8 da Champions, a definição do torneio nos moldes da Copa do Mundo, seja mantida mesmo sem a contingência da pandemia! Sem que para isso seja preciso aumentar o número de datas do torneio (em um calendário tão inchado) e sem que a Champions tenha menos jogos para atender acordos comerciais fechados.

Há alguns pontos a serem resolvidos, claro. O primeiro é que embora não haja um aumento de datas para a realização da Champions, os dois finalistas iriam jogar mais vezes. Atualmente, os finalistas jogam 13 vezes na Champions (isso ocorre porque as oitavas-de-final são desmembradas em quatro semanas, em vez de duas). Com o novo formato, os dois finalistas entrariam em campo 15 vezes até a decisão. Essas duas datas podem ser um problema, principalmente no calendário inglês, que tem duas copas nacionais.

Ainda em termos de calendário, há um outro ponto a ser resolvido: conversar com as ligas nacionais para fazerem a tabela de seus campeonatos terminando antes, para deixar as últimas duas semanas livres para os clubes se reunirem para o Super 8. Mas não é algo muito complexo a ser realizado.

A segunda questão é que receber um Super 8 vai limitar o número de possíveis sedes da fase final. Alguns países e/ou cidades menores pode sofrer para sediar essa fase decisiva, seja por questões estruturais (pelo menos dois estádios classe 4 da Uefa e centro de treinamento para oito times, entre outros...) e/ou de segurança (reunir oito torcidas de clubes, alguns deles rivais, ao mesmo tempo).

A pandemia do Coronovírus forçou a adoção do Super 8 de Lisboa para decidir a Champions 19-20. Mas a experiência deu muito certo e é possível manter esse formato. Há desafios a serem trabalhados, mas o clima de Copa do Mundo no maior torneio de clubes do planeta (além do gigantesco potencial financeiro envolvido com esse aumento de jogos e da fase final em si) compensa demais.

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