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Demissões no Flamengo sensibilizam elenco. E ex-funcionários tentam manter pelo menos o plano de saúde

Cerca de 60 funcionários do clube foram desligados. E uma parte tenta sensibilizar a diretoria para manter o pagamento do plano de saúde. Jogadores acabaram impactados pela notícia, que deve facilitar a negociação para flexibilizar salários do elenco 

Por Bruno Formiga

Por Bruno Formiga e Monique Danello

A crise causada pelo novo coronavírus atingiu também o clube mais rico do Brasil. Com um plano emergencial para tentar manter as contas em dia, o Flamengo iniciou uma série de medidas para conter gastos. A mais impactante delas foi a demissão de cerca de 60 funcionários. Todas as áreas foram afetadas, em especial categorias de base e departamento de futsal.

Os demitidos tentam agora reunir um grupo para convencer a diretoria a manter aquilo que nesse momento é visto como prioridade: o plano de saúde. O benefício sempre foi pago de forma dividida, com o Flamengo bancando uma boa parcela.

"Muitos dos que saíram estão preocupados e não têm condições, ainda mais no meio dessa pandemia toda. Vários moram na Baixada (Fluminense)", conta um dos funcionários desligados.

Não existe um movimento organizado e muito menos uma liderança. A ideia, ainda inicial, é fazer com que a cúpula do Flamengo pelo menos pense na possibilidade, algo que não foi tratado na hora das saídas.

Internamente nada está descartado. Mas a manutenção do benefício sequer foi discutida neste momento. Institucionalmente, a decisão foi por rescisão total dos contratos. Qualquer alteração precisará passar por reunião e novas conversas.

Legalmente, o Flamengo não teria essa obrigação. O que os agora ex-funcionários querem é que os diretores se sensibilizem e façam um novo acordo.

Outro ponto importante: Não há projeto de readimissão por agora. Os cargos não foram extintos, mas entraram na lista para estancar a sangria causada pela pausa dos jogos.

Sócios influentes do Flamengo foram contra a medida. Alguns ameaçam até parar os pagamentos das suas mensalidades em protesto. Torcedores nas redes sociais também reclamaram da postura e da escolha do clube em começar os cortes por baixo.

A decisão por demitir funcionários mais baratos antes do anúncio de qualquer readequação dos salários do elenco causa realmente estranhamento, ainda mais em um Flamengo financeiramente estável.

O custo mensal daqueles que saíram é muito (mas muito mesmo) menor do que o gasto com os jogadores. Para se ter uma ideia, levantamento feito pelo Globoesporte.com mostra que a folha geral do clube (tirando o elenco profissional) fica na casa dos 3 milhões de reais. 

O blog apurou que as demissões impactaram os jogadores. E que todos estão mais flexíveis sobre as inevitáveis reduções. Lideranças do elenco rubro-negro, que tratam diretamente com a diretoria há cerca de dez dias, discutem dois caminhos: um corte de 25% nos salários ou um valor variável de acordo com cada mês.

Por mês, somando valores registrados em carteira assinada e contratos de direitos de imagem, o atletas custam ao Flamengo cerca de R$ 20 milhões. É a maior folha salarial da história do clube.

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