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Domènec tinha razão!

Flamengo volta aos trilhos e entende cada vez mais o estilo de Domènec Torrent, que sofreu pressões, foi cobrado e até ridicularizado pelo trabalho 

Por Bruno Formiga

Domènec assinou com o Flamengo no fim de julho deste ano I Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Domènec assinou com o Flamengo no fim de julho deste ano I Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Depois da goleada sofrida diante do Independiente del Valle, o Flamengo disputou 27 pontos em todas as competições. Conquistou 23 e não perdeu nenhum jogo. Teve nove formações diferentes e algumas atuações bem boas. A última delas, inclusive, no 5x1 contra o Corinthians. Tudo isso eu escrevi para reforçar: Domènec Torrent tinha razão. 

O treinador do Flamengo sempre falou em tempo, algo bem raro por aqui.

Tempo para entender onde estava e para ser entendido. Tempo para recuperação física. E tempo para passar o luto pós-Jorge Jesus.

Por falar em Jesus, Torrent sempre disse nas entrelinhas algo como um "esqueçam aquele time". O ciclo acabou. Ficou o elenco, a história e um terreno para seguir bem. Mas com novos padrões, novo modelo de jogo e novos comportamentos coletivos.

Isso não seria fácil e muito menos rápido. 

Tempo. 

Essa sempre foi a palavra-chave dessa relação.

Domènec estava se encontrando como treinador de um time enorme e aprendendo a lidar com cobranças de ser o líder de um projeto que sofre pressões (coisa que não acontecia nos EUA). Obviamente que isso não seria automático.

Domènec errou, testou, acertou.

Diria que mais acertou do que qualquer coisa. E quando isso aconteceu foi sempre alvo do velho "pegou um time pronto". Em parte é verdade. Por outro lado não.

Contra o Corinthians, por exemplo, apenas quatro dos titulares eram do Flamengo de gala de 2019 (Filipe Luís, Gerson, Bruno Henrique e Éverton Ribeiro). O resto era, enquanto equipe, algo totalmente novo, como ele vem tentando formar desde que assumiu. Seja por causa do rodízio, seja por lesão, seja pelo calendário louco ou pelo surto de Covid-19.

Jesus teve mais tempo quando assumiu, ganhou reforços importantes nesse período e não encarou uma pandemia que espremeu jogo atrás de jogo. Isso sem contar que pegou um time desacreditado e sem padrão. Ou seja. O que viesse era lucro, certo? 

Aqui não é uma comparação. O que o português fez foi único e histórico. Não se mexe nisso jamais. Mas Domenec não tem culpa disso. Está aí para construir os seus capítulos, baseado no que ele acredita de futebol - e, claro, com peças excelentes. 

Tudo isso ao seu tempo. Como parece estar acontecendo.

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