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É do Vasco? Relembre momentos marcantes de Yaya Touré no Manchester City

Ex-companheiro, Fernandinho avisa: "pode deitar no futebol brasileiro"

Por Fred Caldeira

O auge de Touré foi no Manchester City(Getty Images)

O auge de Touré foi no Manchester City | Getty Images

Um dos melhores meias que a Premier League já viu. Sim, uma liga que acompanhou o desfile de nomes do calibre de Lampard, Gerrard, Scholes, Vieira, De Bruyne e David Silva também tem Yaya Touré como um dos maiores de todos os tempos. 

Em oito temporadas no Manchester City, o costa-marfinense levantou três taças da Premier entre os oito títulos conquistados, jogou 316 partidas e marcou 82 gols. No Barcelona, onde conquistou a Europa e o mundo, foram apenas seis gols marcados.

Aqui no blog, vou relembrar os momentos mais marcantes da passagem de Touré pelos Cityzens e também o que Fernandinho me disse há cerca de três meses: "como camisa dez, ao lado de dois volantes que possam correr por ele, vai deitar [no futebol brasileiro]."
 

CHEGADA E FIM DE JEJUM
Esqueçam o rolo compressor desenvolvido por Pep Guardiola: quando Yaya Touré chegou ao Manchester City em julho de 2010, o clube estava há 35 anos sem ganhar qualquer título minimamente relevante. As riquezas de Abu Dhabi já estavam ali há duas temporadas, mas os recém-chegados donos empilhavam contratações frustrantes: Robinho, Adebayor, Roque Santa Cruz...nenhum desses nomes levantou qualquer caneco.

A temporada 2010-11, no entanto, parecia promissora: além de Touré, os Cityzens assinaram com David Silva, Balotelli, Kolarov, Milner e Dzeko. As novas contratações juntariam-se a Tévez, de Jong, Kompany e Zabaleta para levar a equipe novamente ao topo: ainda não na Premier League, mas na Copa da Inglaterra.

Touré tirou os Cityzens de uma fila de 35 anos (Foto: PA)

Na temporada de estreia, Yaya marcou logo dez gols. O número, maior do que nos três anos em que jogou pelo Barcelona, já indicava um papel ofensivo muito mais incisivo do que, por exemplo, quando jogou de zagueiro pelo clube catalão na final da Liga dos Campeões de 2009. Na dezena de tentos marcados em Manchester, dois são decisivos e especiais na memória do torcedor dos Cityzens - ambos na FA Cup: na semifinal, contra o Manchester United (1x0), e na grande decisão diante do Stoke City (vitória também por 1x0). Depois de mais de três décadas, o Manchester City voltava a ser campeão.
 

2013-14: O AUGE
Na temporada seguinte, em 2011-12, os Cityzens conquistaram o campeonato inglês pela primeira vez desde 1968 com aquele inesquecível gol de Agüero nos segundos finais contra o Queens Park Rangers. Yaya foi peça importante naquele título mas nada, antes ou depois, é comparável à temporada 2013-14 do costa-marfinense.

Somente naquela Premier League, Touré somou os seguintes arrasadores números: 20 gols, sendo 10 de falta, nove assistências, 40 chances de gol criadas, 2.502 passes com 90% de precisão. Não fosse o absurdo nível de Luis Suárez pelo Liverpool, o meia dos Cityzens teria sido escolhido o melhor jogador da liga. Ao fim da temporada, levantou mais duas taças: a Premier e a Copa da Liga Inglesa.
 

Golaço de Yaya contra o Aston Villa (Foto: Graham Chadwick)

POLÊMICAS: BOLO DE ANIVERSÁRIO E GUARDIOLA

Em agosto do ano passado, Touré anunciou o rompimento da relação com o agente Dimitry Seluk. O ucraniano, que representou o jogador por 13 anos, foi figura central em todas as principais polêmicas envolvendo o meia. "Ele merece elogios, já que me ajudou muito, mas também tomou muitas decisões erradas. Passou do ponto", disse Yaya ao jornal inglês The Times.

Em maio de 2014, ao encerrar a espetacular temporada citada acima, o jogador virou o centro das atenções por um motivo incomum. "Ele está pensando em deixar o clube", disse Seluk à época. "Ninguém lembrou do aniversário dele. Não houve qualquer aperto de mão, nada. O City tratou Yaya com pouco respeito e isso o machucou muito." O caso ficou conhecido em Manchester como 'Touré e o bolo de aniversário'.

Ao sair do Manchester City, Touré acusou Guardiola de racismo

Pouco mais de dois anos depois, em julho de 2016, o meia reencontrou um antigo desafeto: Pep Guardiola assinou com o Manchester City. O técnico havia sido figura central na saída de Touré do Barcelona. "Eu teria ficado no clube se também fosse o desejo dele, mas a porta sempre esteve fechada para mim", disse o jogador na rádio Ona FM.

Na primeira temporada de Pep na Inglaterra, Yaya entrou em campo 31 vezes. Na segunda, em 2017-18, foram apenas 17 aparições. Oito como titular. Depois de uma derrota em casa para o Lyon na Liga dos Campeões em que o meia ficou fora até da relação, Dimitry Seluk postou uma charge em que Yaya alfinetava um boneco vudu para acertar Guardiola.

Mas foi do próprio Touré, e não do agente ucraniano, que saíram as palavras mais duras de toda a turbulenta relação com o treinador catalão. Menos de um mês depois de deixar o Manchester City, em junho de 2018, Yaya disse em entrevista à revista France Football: "Ele insiste que não tem problemas com jogadores negros, já que é muito inteligente para ser pego."

"Mas quando noto que ele tem problemas com jogadores africanos aonde quer que vá, eu me faço certas perguntas. Ele nunca vai admitir isso. No dia em que escalar um time com cinco africanos não-naturalizados, prometo que vou enviar um bolo para ele."

Dias depois, Guardiola respondeu em entrevista ao canal TV3: "é uma mentira e ele sabe disso. Estivemos juntos nos últimos dois anos e ele nunca me disse isso cara a cara."
 

FUTURO NO BRASIL?
Nas últimas horas, torcedores do Vasco vibraram com o possível acerto de Yaya com o time cruzmaltino. Em um vídeo produzido pelo candidato à presidência do clube Luiz Roberto Leven Siano, o jogador projeta: "não vejo a hora de encontrar logo com a torcida do Vasco."

Em fevereiro, quando a proximidade de Touré era com o Botafogo, eu perguntei ao Fernandinho qual impacto o costa-marfinense poderia ter no futebol brasileiro. O volante foi companheiro de Yaya no Manchester City por cinco temporadas.

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