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É impossível não existir um jogador gay ou bissexual no Brasil

Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+. As celebrações acontecem no mundo todo. Mas o futebol parece viver em uma bolha à parte. Com uma homenagem aqui e outra ali, este universo particular praticamente não tem representantes na causa. No Brasil, pior ainda, o registro beira o zero

Por Bruno Formiga

É impossível não existir um jogador gay ou bissexual no Brasil

É impossível não existir um jogador gay ou bissexual no Brasil

O Brasil tem entre 18 e 20 milhões de pessoas que se declaram LGBTQIA+. Mas o número, presente em levantamentos de universidades e pesquisas de ONGs, tende a ser bem maior, já que uma quantidade incontável prefere o silêncio ou é vencida pela vergonha. O futebol talvez seja o melhor exemplo disso. 

Um universo paralelo onde esse percentual da população simplesmente não existe. Ou pelo menos não quer aparecer. Por pressão, preconceito ou instinto de sobrevivência.

Não há registro relevante de jogadores assumidamente gays ou bissexuais no futebol brasileiro. Dos chamados clubes grandes, por exemplo, o número é zero.

Convenhamos. É impossível que em um recorte de 700 clubes profissionais e milhares de jogadores não existam LGBTs. Estatisticamente não existe essa possibilidade. E não estou nem sequer contando categorias de base. 

Lá fora o cenário não é diferente. Jogadores LGBTs são contados nos dedos ao longo de toda a história do jogo. E boa parte só assume depois de pendurar as chuteiras, protegidos pela aposentadoria e "salvos" do ambiente majoritariamente machista, tanto no vestiário, quanto na arquibancada.

As entidades e clubes até tentam fazer campanhas contra LGBTfobia e preconceito. Criam ações inclusivas e supostamente defendem a liberdade e a pluraridade. Na prática, porém, as iniciativas valem mesmo pra fora. No dia a dia, jogadores LGBTs não conseguem espaço. E não têm clima para seguirem.

Ou se calam ou não têm chance.

Um sintoma de como o problema não é o esporte e sim o contexto foi a criação da LIGAY, criada em 2017, um campeonato fechado e formado apenas por equipes com jogadores LGBTs.

Se o preconceito fosse menor e a aceitação (da sociedade como um todo) fosse maior, quantos talentos não seriam perdidos no caminho por causa de orientação sexual?

Nunca saberemos. 

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