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Gabigol e o inestimável valor de um ídolo

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Gabigol e o inestimável valor de um ídolo

Gabigol e o inestimável valor de um ídolo

A estreia do Flamengo na Libertadores 2020 foi uma suada e valiosa vitória por 2 a 1 sobre o Junior, em Barranquilla. A imagem do jogo não foi nenhum dos belos gols de Éverton Ribeiro, alguma defesa de Diego Alves ou um belo voleio de Téo Gutierrez. O grande momento dessa partida aconteceu após o apito final, numa emocionante sequência de demonstração de devoção, idolatria, paixão. Um menino, torcedor do time colombiano, invadiu o campo para abraçar Gabigol.

Confesso que me espantei ao ver a cena, que continuou com Gabigol protegendo os meninos da ação de seguranças, deixando claro que aquela atitude de carinho não tinha nada de mal (logicamente, invadir o campo é errado!), e seguiu com o jogador dando sua camisa e seu par de chuteiras ao seu fã colombiano, levando o menino às lágrimas. Não tinha a noção de que Gabigol atingiu esse status em um país vizinho, a Colômbia, que não deve ver mais do que 10 jogos completos do Flamengo por ano. Na hora, vieram à mente situações parecidas vividas com ídolos do porte de Ronaldinho Gaúcho e Neymar.

Imagens de Gabigol despertando idolatria em torcedores adversários no Brasil já vemos há algum tempo. Foi assim com a torcida do Palmeiras no túnel do Allianz Parque, ainda jogando pelo Santos. Depois aconteceu com torcedores do Grêmio, na Arena do Grêmio, e de outros clubes, em demonstrações conjuntas ou isoladas. A capacidade de Gabigol desperta a paixão das crianças, seu carisma, são latentes. Agora, transbordando as fronteiras do país, rumo à América do Sul.

O Flamengo decidiu investir 17 milhões de euros na contratação de Gabigol no início deste ano. A quantia pode assustar considerando os padrões do futebol brasileiro. Mas ela precisa ser ponderada em dois níveis. O primeiro, mais racional, é que o clube tem esse valor previsto em orçamento para pagar. O segundo é passional e intangível: qual o preço barato ou caro para ter um ídolo?

Especialistas de marketing podem tentar mensurar. Mas acho muito difícil calcular o benefício que ter Gabigol traz e trará para o Flamengo. Imagem como as que vimos na quarta-feira (além do garoto no fim do jogo, após o aquecimento, Gabigol deu sua camisa de treino para um menino de dez anos, que também desabou em lágrimas, e foi chamado de “Rei da América” pelo pai do menino no Twitter) rodaram o mundo, divulgando a imagem do clube. O número de crianças que se encantam com o atacante e vão decidir torcer para o Flamengo por causa dele é inestimável. A receita com vendas de produtos com a marca Gabigol tem um potencial gigantesco (se for explorado). E por aí vai...

É possível que Gabigol termine o ano com desempenho pior do que o de 2019. Afinal, ser artilheiro e campeão do Brasileiro e da Libertadores (com os dois gols do título na decisão) são conquistas difíceis demais de serem atingidas, que dirá repetidas. Mas, independentemente disso, a idolatria e comoção provocadas por Gabigol, materializadas nesses dois momentos na Colômbia e a cada sorriso ou choro (de alegria!) em uma criança, nos deixam a sensação de que os 17 milhões de euros foram muito bem utilizados.

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