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Hoje tem cinco do Flamengol

O maior time que vi na Gávea desde 1981-82 pode repetir as façanhas de Zico e companhia ilimitada 
 

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Por Mauro Beting

Flamengo chega à final da Libertadores 2019(Bruno Baketa/AGIF)

Flamengo chega à final da Libertadores 2019 | Bruno Baketa/AGIF

Ele fez 79 anos nesta quarta de gala no Maracanã. Como se fosse noite de Galinho rubro-negro. Zico dez como Pelé. Como a atuação do Flamengo de Jesus. Rubro-negro que será merecidamente o representante verde-amarelo numa das melhores e maiores finais de Libertadores contra o atual campeão River Plate.

Em 1979, num amistoso, Pelé e Zico jogaram juntos pelo Flamengo. Dez anos depois do milésimo gol do Rei. Marca que quatro dias antes da final em Santiago completará 50 anos. Parece que foi ontem aquele 1969. E é eterno. Como foi nesta quarta de 2019. O Flamengo ganhou mais um jogo para sempre. Contra um senhor rival. Tricampeão da América em 2017. Mas que parecia uma equipe qualquer contra um dos melhores times que este século viu em campo.

O Grêmio não tinha o ótimo Jean Pyerre que fez ainda mais falta também pela ausência de Luan. A solução de Renato com Michel na cabeça da área e avançando Matheus Henrique e Maicon parecia mesmo a melhor ideia. O problema é que insistir com André na frente nem a imortalidade gremista justifica. Ainda assim a primeira ótima chance foi tricolor contra o dono da casa e da festa.

Flamengo que voltava a estar completo e jogar como tal. Everton ganhou do encapacetado e ainda encapetado Rafinha e Maicon quase marcou, não fossem duas boas defesas de Diego Alves. Mas foi só. Se o Flamengo não estava tão intenso na marcação mais à frente, naquele sufocante perde-pressiona de JJ, a troca de bola e de posições no meio e ataque mantinha a diferença entre as equipes no Rio e em todo o Brasil.

Foram quatro chances cariocas até Everton Ribeiro retomar uma bola, Gerson ligar rápido o ainda mais veloz Bruno Henrique. Ele achou Gabriel que bateu para Paulo Victor dar o rebote para BH fazer a festa no Rio, aos 41. Na volta do intervalo, o Flamengo teve duas chances em 55 segundos.

Na segunda, Cortez largou o artilheiro do Brasil no segundo pau, como ele gosta, para Gabriel Barbosa enfiar um bambu sem chance para PV. Aos 10, Geromel derrubou Bruno Henrique. Gabriel converteu o pênalti. Aos 21, Pablo Marí se antecipou a Kanneman que o largou, subiu mais alto do que Geromel, e marcou o quarto.

Mais quatro minutos, novo levantamento, nova desistência de Kanneman na marcação gaúcha, e a nova cabeçada precisa de um zagueiro do líder do BR-19: Rodrigo Caio fez 5 a 0. O Grêmio ainda chegou duas vezes. Flamengo, em 90 minutos dos mais brilhantes da história do clube e da competição, teve 11 chances de gol. Mais não teve porque administrou. E porque Paulo Victor fez uma senhora defesa para evitar um golaço do camisa 10 da Gávea. Outra ótima notícia rubro-negra.

Diego também voltou de lesão grave mais rápido do que esse time deu liga e pode dar canecos. Diego deu um belo bate-pronto para quase repetir os 6 a 0 que, no RJ-81, contra o Botafogo, não só devolveram os 6 a 0 do BR-72 contra o time de Jairzinho.

Naquela vitória histórica, o técnico Carpegiani achou o time ideal do Flamengo que ganharia a Libertadores, o RJ-81 e o Mundial. Tudo isso em 21 dias entre uma festa e outra. O melhor Flamengo que eu vi foi aquele de 1981-82. O melhor time que eu vi no Brasil desde 1972.

Melhor na Gávea apenas do que este time pós-Copa América de 2019. Flamengo que pode até não repetir as façanhas de 1981. Mas já está emulando o espírito e também dando gosto de ver. Imagino então o de torcer. Flamengo 2019 digno de Zico e companhia ilimitada de 1981. Numa noite de homenagem a Pelé.

O 10 que há 50 anos fez mil gols. Dando volta olímpica com uma camisa do Vasco que Ele derrotara. Como outros meninos da Vila Belmiro como Diego e Gabriel fizeram a festa mais linda no Rio pintado de vermelho e negro.

Cores que vão invadir Santiago. Prometendo ainda mais alegrias contra um rival temível e mais do que respeitável. O maior da América na década. Com o melhor treinador no continente. Com o trabalho mais longevo e consolidado. Mas que não está jogando mais do que o Flamengo.

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