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Jogadores e clubes precisam jogar juntos

Quem faz o futebol precisa entrar em campo junto para resolver questões trabalhistas pendentes. Futebolista é uma categoria especial, mas não tão especial assim. E não pode ser ainda mais especial só para quem é.

Por Mauro Beting

Boleiros e donos das bolas precisam acordar

Boleiros e donos das bolas precisam acordar

Paulo André não quer do Corinthians dinheiro por ter jogado quarta-feira depois das 22h e sempre aos domingos. O ex-zagueiro e um dos melhores líderes do Bom Senso FC pediu na Justiça o pagamento pelas folgas não ressarcidas (Descanso Semanal Remunerado), dentro de um pacotão mais complexo, e que não era isso. Como ele reafirmou mais uma vez em suas redes sociais: "nunca processei o clube por adiconal noturno, hora extra ou por jogar aos domingos. Em 2019 eu abri mão do processo e fiz acordo com o clube por reconhecer que um dos pedidos (DSR) foi um erro da minha parte".

Na esmagadora maiorias das vezes, os clubes são os que perdem as ações trabalhistas por descumprimento e/ou dribles e fintas em cláusulas acordadas – e depois dormentes...

Sem demonizar as partes, inclusive um dos mais sérios e inteligentes atletas que eu conheci, o debate é válido. É preciso criar jurisprudência para algumas questões especiais do atleta profissional. Sempre lembrando que a esmagadora maioria que ganha pouco precisa ser protegida. Tanto quanto o negócio em si. Como qualquer negócio em qualquer campo.

O equilíbrio essencial  na relação especialíssima entre patrão que é cartola e empregado que é craque não é fácil de ser obtido. Ainda mais com reações destemperadas dos dois lados.

Não pode a mídia exigir o horário que ela quiser para as partidas, depois do BBB, antes dos nossos filmes blockbusters, ainda que pagando muito - o que é justo e acertado entre as partes. Não pode um clube fazer como o Corinthians e pedir para não jogar nos horários tradicionais do futebol - por mais que no Brasil e no mundo qualquer horário hoje seja "tradicional".

A discussão é muito válida. Até porque tradicionalmente o futebol sempre foi uma atividade, digamos, ainda mais especial do que a própria lei diz. Ou, no caso, meio que esquece de dizer.

Os processos de Paulo André contra o Corinthians e de Maicon contra o São Paulo são pontapés iniciais (ainda que possam ser entendidos como nas costas ou nas coxas) para ajustes mais do que necessários. E que estão além do tempo regulamentar da quinta prorrogação para serem feitos nas convenções coletivas mais do que prementes entre as partes.

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