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Juventus 3 x 0 Barcelona, em 2017: Buffon x Messi

Uma vitória histórica da Juventus em Turim, pela Champions. Nesta quarta-feira, 16h, na TNT, EIPLUS, Facebook do Esporte Interativo

Por Mauro Beting

Festa da Juve, em 2017

Festa da Juve, em 2017

Allegri mudou a Juventus em janeiro de 2017. Trocou o esquema com uma linha de três para um 4-2-3-1. Manteve os rochosos Bonucci e Chiellini na zaga, mas com Daniel Alves (Lichtsteiner) e Alex Sandro voando pelas laterais; Pjanic e Khedira marcando e jogando como ótimos volantes de qualidade; Cuadrado fazendo de tudo pela direita; Mandzukic sendo um falso externo pela esquerda, e um real marcador do lateral rival, e Higuaín fazendo e perdendo gols com a mesma facilidade.

Mas atrás de Higuaín estava a sua companhia de fina sintonia. HD. Dybala. High-Definition. Altíssima capacidade de conclusão. Grandíssima qualidade técnica. Canhoto insinuante. Não será um novo Messi - ninguém será. Como nenhum rival esteve ao lado dele aos 6 minutos, quando abriu o placar na Arena juventina sem ser molestado. Como faria o mesmo aos 21, quando bateu com categoria mais um passe do incansável Mandzukic, um centroavante reinventado.

Como tanto necessitava o Barcelona em abril de 2017 um chacoalhão. Mais um. Luis Enrique também mudou consideravelmente o seu Barcelona depois dos 0 x 4 em Paris. Deixou o inmovível 4-3-3 culé na prancheta e apostou em um 3-4-3 que vinha dando muito certo, como nos 6 a 1 contra o mesmo PSG, e nos 3 a 0 no Sevilla. Mas, em Turim, sem o suspenso (e então insubstituível Busquets), Enrique optou por tirar Mascherano da zaga-direita para recolocá-lo como o grande cabeça de área que é. Mas não foi nem no primeiro gol, quando deixou Dybala virar lindo, e menos ainda no segundo, quando esqueceu de marcar o enganche argentino - para não citar a falha no terceiro gol, que abaixo contamos.

Tudo não pode ser debitado nas contas e costas de Mascherano. Infeliz é quem contrata e escala Mathieu. Luis Enrique apostou no seu dublê de zagueiro (e jogador...) como o zagueiro pela esquerda, com Umtiti na sobra e Piqué na zaga direita, liberando Sergi Roberto mais como ala pela direita. Uma espécie de 3-4-1-2, com Iniesta dando um pé pela esquerda, Rakitic (sumido...) por dentro, Messi mais centralizado, Suárez mais afundado, e Neymar pouco inspirado como todo o time.

O Barcelona não foi bem. Mas foi menos pior do que em Paris. E mais feliz que o treinador que aposta tanto em Mathieu. O francês foi quem deu todo o espaço para Cuadrado trabalhar a bola para Dybala no primeiro gol. Foi ele que foi mantido sem explicação depois do segundo gol italiano. Saindo só no intervalo para a ainda mais inexplicável entrada do injustificável André Gomes. Dos mais caros investimentos do Barcelona. Um dos piores custos-malefícios do futebol. Era jogo para Alba. Não para o crepúsculo culé.

Não era de novo a noite blaugrana. E era uma italianíssima atuação juventina. Ainda estava 1 a 0 quando Buffon foi o que é: o maior goleiro da história. Messi enfiou como Messi uma bola para Iniesta bater e Buffon defender com a maior naturalidade possível. Abrindo os olhos e fechando o ângulo. Algo que faria depois quando já estava 3 a 0, em nova bela enfiada de Messi, tiro rasteiro cruzado de Suárez, e defesa fabuffonlosa do goleiro italiano.

Das poucas vezes em que Chiellini foi batido. Zagueiraço que, aos 9 do segundo tempo, nem precisou tirar os pés do chão para superar outro erro de Mascherano e marcar de cabeça o terceiro gol da Vecchia Signora. Quando a Juve deu ainda mais a bola ao Barcelona (ficou com 65% dela no jogo), mas não deu mole, e muito menos espaço. Allegri plantou duas linhas de quatro bem próximas e compactas, com apenas Dybala e Higuain (que sabe fazer gols, mas não nos momentos decisivos) à frente. E ainda assim poderia ter ampliado.

O que parecia suficiente o placar para o provável hexacampeão italiano se confirmaria na volta, no empate sem gols no Camp Nou.

Dentro do que é "suficiente" para eliminar um Barcelona com Messi, Neymar, Suárez e Iniesta (ainda quem com Mathieu e André Gomes...). Ainda que seja o time da remontada recente do 6 a 1...

Mas como seria marcar quatro gols em um time que só sofreu dois até então? Ainda mais com essa camisa. Dessa escola. E daquele Buffon?

Na matemática, era menos impossível tirar 3 do que os 4 de Paris. Na bola, porém, foi ainda mais impossível a tarefa do Barça.

O raio não caiu duas vezes. Aquela Juventus não caiu nequela.

Até por tudo aquilo que ensinou Buffon, na véspera da histórica virada bianconera: "aprendi algo novo naquela noite do 6 a 1 do Barcelona. É ótimo quando o trabalho e a vida nos dão algo como aquilo quando a gente acha que já viu tudo aos 39 anos".

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