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Lambretas, carretilhas e o bom senso de quem apita e de quem joga

Treta entre Neymar e árbitro na França está no limite da graça do jogo e da indisciplina inconsequente

Por Mauro Beting

Lambretas, carretilhas e o bom senso de quem apita e de quem joga

Lambretas, carretilhas e o bom senso de quem apita e de quem joga

Em 1972, em um Choque-Rei, Oscar Scolfaro mostrou 4 amarelos em 4 minutos de clássico. Chamou os capitães e falou que a próxima falta dura como estava o clássico seria para vermelho. Tanto que deixou o amarelo na mesa do representante da CBD e apitou com o vermelho na... Mão! Nem no bolso ficou! Até expulsar o palmeirense Alfredo, aos 18.

Um exagero que a International Board depois proibiria. Árbitro não pode coagir atleta. Como faria José Roberto Wright no Flamengo x Atlético Mineiro que não acabou em Goiás, em 1981. Ele avisou os capitães que a próxima entrada mais dura seria o vermelho que o atleticano Reinaldo recebeu. E depois o árbitro se perderia no excesso de poder até perder a cabeça como os atleticanos que foram sendo expulsos pelo nervoso árbitro.

Dulcídio Boschilia era um que apitava controlando duro o jogo que descambava. Exagerava até em agressões aos atletas. Ou não amarelando os que apelavam em busca de um terceiro cartão. Oscar Godoi fazia o mesmo.

O saudoso Dulcídio e os árbitros experimentes e inteligentes controlam os ânimos exaltados abusando da regra 18: a que não está escrita. Mas dá ao árbitro o poder (mas não o arbítrio) de controlar ânimos e desinteligências da partida. Pedindo em off que os atletas se "comportem" na competição. Maneirando em algumas condutas para não atiçar ânimos.

Algo que o árbitro francês tentou fazer com Neymar. Mas que acabou se perdendo porque o mesmo apitador que pediu para que o craque do PSG não abusasse do talento com dribles "provocativos" não coibiu a violência inicial que espancou o Neymar que tanto apanhou dos rivais. Motivo que também o levou a dar uma lambreta provocativa (SIC) no jogo já encaminhado.

Neymar apanhou demais. De novo. Talvez pudesse evitar o drible. Até em nome da própria saúde. Mas pior fez quem tanto bateu e não foi admoestado e nem molestado. Ainda pior fez o árbitro que só quis punir a insolência do craque, e não o antijogo e o jogo brusco.

O amarelo se justifica pelas prováveis agressões verbais de Neymar e os gestos ofensivos dele em relação à quase nenhuma reação do árbitro conivente com os botinudos.

Mas muito mais ofensivo é deixar bater tanto. Isso é muito mais prejudicial ao futebol bonito e bem jogado do que o cartão por indisciplina que Neymar recebeu.

Inominável como o cartão amarelo dado pelo árbitro a um sub-14 que deu o mesmo drible no Brasil. O lance é lindo. Difícil. Exige talento. Ousadia. E é objetivo. Pra frente. Pro gol.

Nessa categoria, o árbitro até pode falar para o garoto jogar mais o jogo. Mas coibir um lance de talento é uma castração estúpida e repressora. Não um gol contra apenas. Uma bola e um jogo fora.

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