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Laudo Natel, o maior presidente do São Paulo FC

Aos 99 anos, o Sao Paulo FC perde neste 18 de maio provavelmente o seu maior presidente, de 1958 a 1971. Quem inaugurou o estádio em 1960 e também quem o finalizou, dez anos depois, um ano antes de assumir como governador de São Paulo pela segunda vez.

Por Mauro Beting

Laudo Natel, em 1969

Laudo Natel, em 1969

Cícero Pompeu de Toledo merece ser o nome do Morumbi. Não se discute, até por ter falecido um ano antea da inaguração, em 1959. É o pai da ideia. Mas se o estádio tricolor se chamasse Laudo Natel, até os rivais aplaudiriam.

Foi ele quem botou a mão na massa e no cimento para o erguer em 1960 e finalizar em 1970, viabilizando a obra como diretor do Bradesco e, depois de construído, como governador de São Paulo indicado pela ditadura (depois de já ter sido vice-governador  eleito e mesmo governador por curto período no final de 1966 e início de 1967, após a cassação do governador eleito).

Apesar de enquanto governador indicado pela ditadura miltar sentar em um banquinho ao lado do banco de reservas, algo que nem Mussolini imaginaria fazer, Laudo foi uma figura doce, cordata e gentil. Diferente daqueles tempos de coturnos de chumbo.

Poderia ter sido chefe da delegação brasileira na conquista do tri mundial, em 1970. Não quis. Podia ficar na tribuna de honra do Pacaembu quando o São Paulo jogava - preferia ficar no alambrado atrás da meta dos Portões Monumentais do estádio Paulo Machado de Carvalho. Como um torcedor qualquer, mesmo que não sendo.

Só não era "são-paulino" de berço porque nasceu em São Manoel 10 anos antes do São Paulo que abraçou ainda menino, e que ajudou a construir desde  o primeiro tijolo no Morumbi - e não só no estádio, em todo o bairro.

Laudo Natel esteve no São Paulo, com muita influência, de 1952 a 1978. Como disse ao blog de Geraldo Nunes, em entrevista à Rádio Eldorado, em 1995, ele considera que dirigiu o São Paulo por 20 anos. Além dos próprios mandatos.

Se não foi isso, certamente o Sâo Paulo não seria tudo isso sem ele.

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