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Mais uma forma de entender a bola: Liverpool 2 x 3 Atlético de Madri

Liverpool de Klopp é encantador de ver. Atleti de Simeone, de torcer

Por Mauro Beting

Llorente e a carreira para a história em Anfield

Llorente e a carreira para a história em Anfield

Só o tridente infernal ofensivo do Liverpool tem mais gols que o Atlético na temporada em que o time de Simeone só jogou mesmo na Champions. Ou só venceu de modo inesquecível nas oitavas.

Na volta em Anfield, depois de placar magro como a bola no Wanda, o atual hexacampeão europeu e campeão mundial e virtual campeão inglês finalizou 34 vezes em emocionantes 120 minutos. Onze chutes foram contra a meta de San Oblak. Uma cabeçada de Wijnaldum entrou no primeiro tempo, aos 42, na desatenção dos quatro zagueiros afundados e na única falha de Thomas na marcação. Outra bola de Firmino entrou no começo da prorrogação, aos 3, depois de atingir a trave colchonera. Outras nove finalizações foram defendidas por Oblak. Seis ao menos bem difíceis. Daquelas que só Oblak. Jamais Adrián, o infeliz substituto de Alisson.

Mais importante que o número de finalizações são as chances criadas. Critério subjetivo. Mas mais próximo da produção de uma equipe: o Liverpool teve 19 oportunidades de gol. Marcou só duas que o classificavam até os 6, quando o Llorente que entrou só para fechar o lado direito do 4-4-2 espanhol ganhou um presente do goleiro dos Reds, cuja maior virtude é justamente trabalhar bem com os pés. Adrián não apenas jogou a bola para João Felix que serviu Llorente. Ainda iria pra bola como Karius naqueles frangos em Kiev. Pulou sem os braços e cabeça. Sem defesa. Sem goleiro.

Gol que então classificava o Liverpool pelo gol fora que é absurdo ainda maior nas oitavas da UEFA, privilegiando o visitante que teve pior campanha com a vantagem de fazer um gol "em dobro" fora de casa.

Mas já que o jogo era maluco, melhor que Llorente fizesse ainda mais, aos 15 da prorrogação, empatando o jogo. O homem que em 5 anos no rival Real Madrid só havia marcado dois gols. O cara que em quatro chutes na Champions jamais havia acertado a casinha fez dois que levaram para Madri uma classificação que seria ainda mais histórica com o gol da virada marcado por Morata, no final da prorrogação.

Não teve gol qualificado. Teve vitória de virada inclassificável em comentários. A maior noite europeia do Atleti. A 18ª eliminação continental em Anfield do Liverpool. Não haverá mais Istambul para Klopp e a Kop. Quando em 2005 o Liverpool igualou um 0 a 3 em 14 minutos. Agora foram três gols sofridos em 23 pelo timaço que jogou bem demais, voltou a criar muito, mas parou em Oblak como os rivais pararam em Alisson em 2019.

Vitória para resgatar o espírito colchonero, canonizar Oblak, e só não santificar Simeone porque o Cholo não tem nada de santo.

Mas sabe como ganhar jogos como esse. E o respeito da Europa.

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