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Não adianta espernear (quando interessa) contra o VAR

Mais uma rodada do Brasileirão e mais gente esbravejando contra lances em que o VAR ajudou o árbitro a tomar decisão. É gritaria hipócrita. Ou ignorante.

Por Bruno Formiga

Não adianta espernear (quando interessa) contra o VAR

Não adianta espernear (quando interessa) contra o VAR

Polêmica é um substantivo feminino que significa "discussão, disputa em torno de questão que suscita muitas divergências; controvérsia". A definição no dicionário é esta. Nem mais e nem menos. Logo, por definição, fica claro: não houve polêmica em Santos 0x1 Flamengo. 

Não houve simplesmente porque não há controvérsia no óbvio.

E não adianta gritar e espernear. 

É preciso, para tal, conhecer minimamente a regra. E quem conhece regra sabe que os dois gols do Santos foram bem anulados. Ponto.

Não existe meio impedimento ou impedimento irrelevante. Impedimento é condição ilegal. E ninguém pode participar de jogadas ou fazer gols em posição irregular. Ok? 

O primeiro gol foi irregular. Raniel está à frente da linha da bola. E a tecnologia, mais do que seus olhos ou do que o seu achismo, é quem detremina isso. Pouco interessa se você considera pouco impedido ou muito impedido.

O segundo gol também. Jóbson estava em posição irregular (também determinado pela tecnologia) e participa do lance (revisto pelo VAR e confirmado pela checagem do árbitro). Para saber isso é só conhecer o livro de regrar que, nas suas muitas páginas, determina que um jogador participa do lance ao "JOGAR OU TENTAR JOGAR".

E Jóbson faz EXATAMENTE ISSO. Ou alguém aqui acha que saltar para abola após um cruzamento e fazer o gesto de cabeceio é apenas o ensaio em campo para uma dança do Tik-Tok?

Não, né. Menos. Bem menos, por favor.

Os dois gols foram corretamente anulados. Mesmo que isso signifique você ficar revoltado porque torce para o Santos ou seca o Flamengo. 

O VAR está ali pra isso. Não para agradar você.

Pode ser mais rápido? Lógico! E deve! Urgente.

Criticar a demora é uma coisa. Nosso tempo médio de revisão é maior que o da Europa muita coisa. Questionar a decisão final é demagogia de quem diz preferir um futebol mais justo, mas na primeira contrariedade relativiza erro e tolera ilegalidade.

E o jogo do Botafogo?
Bem. Eu não teria anulado o segundo gol. Na minha INTERPRETAÇÃO não houve falta no início da jogada. Porém, o PROTOCOLO FOI SEGUIDO.

O VAR considerou lance faltoso. E tendo considerado um erro do árbitro, chamou para rever. A decisão final é sempre do campo. E ela poderia ter sido mantida se fosse ententido que o lance era normal.

O árbitro, inclusive, poderia nem ter ido rever se tivesse convicção. Já vimos isso acontecer algumas vezes. 

Mas não. Ele usou a premissa e considerou algo que na velocidade de campo passou batido. E anunlou o lance inteiro, incluindo o gol. 

Não é tão complicado de entender. Basta, repito, conhecer a regra e ter informação. 

As vezes dá trabalho, verdade. Mas é único caminho para evitar gritaria e teoria da conspiração. 

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