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Não é sobre o Flamengo. É sobre bom senso.

A volta precoce dos jogos e a MP que muda os direitos de transmissão no Brasil mostram como nossos clubes não pensam no coletivo e o quão difícil é a união entre as maiores potências do nosso futebol 

Por Bruno Formiga

Não é sobre o Flamengo. É sobre bom senso.

Não é sobre o Flamengo. É sobre bom senso.

Sim. Flamengo e Vasco puxaram a fila para a volta dos estaduais. Foram até Brasília, tiveram reuniões com o presidente da República e forçaram a barra com a FERJ. Conseguiram! E ainda tiveram de bônus, principalmante o Rubro-Negro, uma Medida Provisória que dá plenos poderes aos mandantes nas negociações sobre futuros direitos de transmissão.

Mas não se trata de Flamengo. Nem de Vasco. O alvo aqui não são clubes, mas um conceito.

O futebol brasileiro é rachado faz tempo. E nunca pensou como unidade. Prova disso foi a implosão do Clube dos 13 e o abismo que surgiu a partir dali nas cotas de TV. 

Um abismo que, diga-se, não será resolvido com a MP. A medida, ainda cheia de buracos, não foi debatida entre os clubes e partes interessadas. Teve pouca ou nenhuma discussão. Tende a beneficiar uma parcela pequena de times.

A volta das partidas também é outra mostra que coletividade e bom senso não são (e nunca foram) o nosso forte. No Rio, dois dos quatro grandes ameaçam ir à justiça para fazer o que deveria ser óbvio para todos: não jogar FUTEBOL agora.

Em um estado onde casos e mortes aumentam, retornar com o futebol é um recado tosco de que a vida, enganosamente, pode voltar ao normal agora.

Repito. Não se trata do Flamengo. Poderia ser qualquer um. 

Claro que o clube mais rico e hoje mais forte do Brasil potencializa tudo. Mas esse assunto não é "nós contra eles". É um raio-x de sociedade. 

Todos os países voltaram com o futebol 40 a 60 dias após a estabilização dos casos e controle da pandemia. Aqui resolvemos, baseados em nada e sem consenso, retornamos com a bola no meio da curva crescente e sem horizonte de queda. 

É uma insanidade. 

Mais que isso. No meio da crise, sem ouvir ninguém, muda-se a forma de negociar direitos de transmisão, indo na contramão do que acontece em boa parte do mundo civilizado, onde o coletivo é visto com mais forte e poderoso para conseguir melhores condições de grana.

Somo mesmo um museu de grandes novidades. 

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