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Não foi o drible. Foi o desrespeito.

O futebol não está acabando. Precisamos apenas entender o contexto.

Por Péricles Bassols

Não foi o drible. Foi o desrespeito.

Não foi o drible. Foi o desrespeito.

Não!
Neymar não recebeu cartão amarelo porque deu um drible maravilhoso. Interpretar, pautar e veicular isso é, no mínimo, ingenuidade.
Não! 
Não gosto da opção por fazer prevenção nestes casos, pois os jogadores têm a obrigação de saber regras e como se comportar. Mas, apesar de não gostar, respeito a decisão e a recomendação de se tomar esta atitude em situações assim por dois motivos:
1) A história mostra vários confrontos a partir de lances assim.
2) É o árbitro que está sentindo o clima do jogo. Ele é quem escuta os diálogos de pequenas rivalidades que crescem durante o jogo. 
Lembremos que o árbitro é um guardião do jogo e de sua integridade; um mediador. Por mais que alguns não gostem da sua figura, é ele o responsável por manter a ordem. 
E se, ao final, um jogo descambar para violência sem que ele tenha demonstrado atitudes para coibí-la, será, também, ele o responsável. 
Dito isto, o que o Jerome Brisard fez foi preventivo. Aquilo não pode ser uma ameaça de cartão amarelo por driblar e sim um aviso de que seguidas ações como aquela podem levar a um tumulto generalizado e com expulsões para ambos os lados. 
O que Neymar fez depois foi transformar um aviso em ameaça confrontando e desrespeitando seguidamente o árbitro até tomar o cartão amarelo.
Por que insistimos em achar o desrespeito normal?
Eu tenho certeza de que se a forma de Neymar contestar a decisão do árbitro fosse respeitosa, não aconteceria cartão de cor nenhuma.
Estive em campo com vários jogadores extraordinários como Neymar (incluindo ele próprio) e sempre que tentei fazer o mesmo que o árbitro francês, houve resistência. Eles tendem a entender uma ação preventiva como uma ameaça e contestam. Existem vários tipos de contestação e a de ontem não me parece as das mais educadas.
Eu entendo! Gênios, artistas ou desportistas não gostam de ser pautados ou repreendidos, mas quando lidam com regras e um mediador, têm que saber como reagir.
Se fosse na frente de um juiz de direito, depois de avisado sobre um comportamento que poderia ser interpretado como provocativo, e assim descambaria o julgamento para troca de ofensas entre as partes, tenho certeza de que ele não encararia e desafiaria a autoridade de toga como fez em campo.

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