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Novo normal

Demissão de Domenec mostra que o Flamengo super campeão tinha muito mais a ver com Jorge Jesus do que com planejamento estratégico

Por Bruno Formiga

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Domenec Torrent caiu com menos de 100 dias de trabalho. O treinador, que lá já atrás não era a prioridade do Flamengo na saída de Jorge Jesus, não resistiu. Mesmo com aproveitamento beirando os 65% e brigando em todas as competições, Dome foi demitido e deixou claro: o sucesso do clube tinha nome e sobrenome.

Jorge Jesus transformou os milhões investidos pelo Flamengo em títulos, glórias e futebol bonito. Salvou um modelo de gestão que organizou financeiramente a instituição e tornou possível contratações caras e estrutura impecável.

Mas e o planejamento? 

Nunca existiu. Ou era bem ruim. 

A diretoria sabia do risco de perder Jorge Jesus e não se preparou para a troca. Disse várias vezes não ter plano B. Deixou para a última hora. E acabou escolhendo um técnico que não encabeçava a lista em momento algum. 

Domenec Torrent foi uma aposta. 

Assim como Jesus havia sido.

Lembremos que Jorge Jesus tinha sido oferecido para outros clubes brasileiros. E acabou caindo no colo a oportunidade para o Flamengo.

O casamento deu certo. Por acaso. 

Já com Domenec não rolou.

E a demissão é apenas a volta daquilo que nossos dirigentes normalmente são: imediatistas e sem paciência. Além, claro, de populistas.

Demitir parece sempre o caminho mais fácil. Jogar pra galera.

Domenec tinha problemas, óbvio. Qualquer um que assumisse após Jorge Jesus viveria de comparações. Um fantasma que faria de cada jogo uma decisão, um tribunal. 

O catalão não teve tempo de preparação e adaptação. Sofreu com lesões, crise de Covid-19 e calendário mais apertado que o comum. Um ambiente hóstil, logicamente. 

Mesmo assim ficou 12 jogos sem perder e viu seu time ter bons momentos e outros bem ruins. Porém, se ele foi o culpado pelas goleadas também deveria ser quando a equipe agradou e venceu bem, certo?

Mas pulemos essa parte.

A demissão de Dome agrada aos apaixonados e assusta quem tenta olhar com mais racionalidade. Nada de novo nessa constante dança das cadeiras. 

Essa saída, porém, expõe que ter dinheiro não quer dizer ter projeto. A grana facilita muita coisa, claro. Abre portas, mostra poder. E impulsiona as possibilidades. Mas não resiste à falta de convicção ou de planejamento.

Com ou sem pandemia, esse é o nosso novo velho normal.

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