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O dia em que a Portuguesa Santista enfrentou o Bayern de Beckenbauer em Munique

Foi 7 a 1 para o clube alemão. Então na Segunda Divisão. Contra a Lusinha que tinha acabado de subir para a Primeira em São Paulo

Por Mauro Beting

O placar da final da liga regional Sul que garantiu o acesso do Bayern em 1985 à Bundesliga

O placar da final da liga regional Sul que garantiu o acesso do Bayern em 1985 à Bundesliga

No final dos anos 1950 e até o início dos anos 1970, os clubes brasileiros viajavam muito pelo mundo mostrando (quase sempre) o futebol que foi tricampeão mundial entre 1958 e 1970.

A Portuguesa Santista tinha boa equipe. Tinha acabado de subir para a divisão de elite no futebol paulista. O livro do centenário "100 Anos - Sou Mais Briosa", de Álvaro Silveira e Paulo Rogério, conta que os atletas Claudio, Alberto, Adelson, Zé Carlos, Osmar, Jorge, Marçal, Maravilha, Valdir Teixeira, Norberto, Samarone, Pereirinha, Betinho, Zico, Silas, Neiva e Cabrita viajaram em 3 de maio para a Tchecoslováquia, onde jogaram duas vezes antes de ir para a Alemanha, na excursão com três vitórias e quarto derrotas.

Há exatos 55 anos, no Grunewalt Stadion, em Munique, a Portuguesa Santista encarou o Bayern que ainda não era "o" Bayern. Mas estava a um mês de começar a ser tudo o que passaria a ser na Alemanha e na Europa.

Um mês depois, no jogo que definiria o acesso para a Bundesliga, uma goleada por 8 a 0 contra o Tennis Borussia Berlim definiu a classificação. Já com Maier na meta, Beckenbauer no meio-campo, e Gerd Müller no ataque. Três dos campeões mundiais em 1974. Três dos tricampeões europeus entre 1974 e 1976.

Torcedores do Bayern fazem festa pelo título da Segundona em 1965

O 7 a 1 sofrido pela Portuguesa não foi tão vexatório assim. Pouco mais de 4 mil pessoas viram o amistoso. Zico fez o gol da Lusinna. Mas Müller, aos 10, Beckenbauer, aos 14, e Müller de novo aos 23 fizeram 3 a 1. Gerd era um centroavante atarracado tipo Romário com o mesmo apetite: Der Bomber" teve média de mais de um gol por jogo pela seleção alemã. Muller foi artilheiro da Copa de 1970, e terceiro maior goleadores de Copas, com 14 gols em dois Mundiais.

O baixinho do meio e atarracado é o monstruoso centroavante Gerd Muller, DER BOMBER!

Na segunda etapa, o maior jogador alemão de todos os tempos deu as caras. Beckenbauer fez aos 9, 13, 15 e 18 minutos. Um show do então meia mais avançado.

Beckenbauer na festa do títuo em Berlim: jogaria três Mundiais depois disso e seria capitão do bi, em 1974, e treinador campeão mundial em 1990

O Bayern disputaria sua primeira Bundesliga (criada em 1963-64) em 1965-66. Ganharia a primeira em 1968-69. E desde então ganhou outras 27.

Só havia conquistado um título alemão (1932) um ano antes da ascensão nazista ao poder. Foi o clube alemão mais perseguido pelo regime.

São 28 títulos nacionais desde 1969. É aquele de 1932.

O Bayern ainda não era Bayern em 1965. Mas Beckenbauer, Müller e Maier já eram.

Sepp Maier seria tituloas em três Copas e campeão em 1974. Aqui ele celebra o terceiro gol do jogo do acesso, em 1965
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