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O pombo-correio da boa nova canarinho: Brasil de Richarlison

Se o cidadão brasileiro cobrasse das autoridades o que o torcedor brasuca exige da Seleção e do seu clube, que Brasil seríamos!

Por Mauro Beting

Richarlison, força e luz do Amapá

Richarlison, força e luz do Amapá

“Sempre bom marcar com a camisa da seleção, ainda mais contra uma grande equipe, jogar no Centenário é muito difícil. Queria dedicar esse gol a todas as pessoas do Amapá que estão sofrendo muito. Eu, como cidadão brasileiro, peço que as autoridades se pronunciem, tomem uma decisão logo, porque o povo de lá está sofrendo e acho que as autoridades poderiam dar uma atenção a mais. Espero que possam olhar com carinho para o povo de lá também, que está lutando, o imposto está caro, a comida está cara, e eles estão sofrendo. Que possam tomar as providências para resolver isso logo”.

A maioria das pessoas que tanto merecem receber esse conforto de Richarlison, do Everton de Liverpool, diretamente de Montevidéu, não recebeu a mensagem por falta de luz. Nem viram o terceiro gol de cabeça dele pelo Brasil. Mas eles receberam essa energia que irradia e até ilumina vinda dessa usina de energia positiva do pombo canarinho. Pombo-correio da boa nova do Brasil 100% em quatro jogos nas Eliminatórias. De gente comprometida taticamente como ele aberto pela esquerda no repaginado 4-2-3-1 que depois virou 4-4-2 espelhado no engessado e desfalcado Uruguai.

De cidadão que mesmo na Europa enxerga o brasileiro sem luz e energia. Sem o básico. Algo básico em outros países. Mas nem sempre neste país que cobra mais do treinador do Brasil do que do presidente do Brasil, do Congresso nacional, dos togados, do governador, do prefeito, dos parlamentares, dos lamentáveis gestores que não sabem conectar disjuntores, da imprensa nem sempre indepedente e isenta e imparcial.

Richarlison teve a consciência para usar a cabeça na bola bem levantada na quarta assistência de Renan Lodi e para se manifestar defendendo quem tanto precisa de luz. Algo raro por aqui neste país que prefere atacar quem faz bom trabalho.

Como ele.

Como Tite.

Apenas 4 derrotas em 52 jogos. (Sim, uma delas fatal para a Bélgica, na partida em que uma seleção mais criou chances em 2018, e mesmo assim foi derrotada). Invicto nas Eliminatórias (14 vitórias em 16 jogos!), ganhou duas vezes do forte Uruguai na casa dele (das apenas 10 derrotas caseiras deles na competição). Se não foi brilhante, e não precisou mesmo ser, foi eficiente nas quatro chances que teve (todas no primeiro tempo). Um tiro de sorte que desviou e deu gol a Arthur (que só ele queria pintado de verde-amarelo no Uruguai). Gol de sorte, sim, e igual ao de azar que levou no Peru... Uma cabeçada no gol de Richarlison depois de escanteio curto...

SIM. ESCANTEIO CURTO É “RUIM” SÓ PRA QUEM DIVIDE O MUNDO ENTRE RAIZ E NUTELLA (PERDOAI-OS, PELÉ...), PRA QUEM ACHA QUE TUDO É MIMIMI (SIC) E LACRE (SIC DOS SICS).

O Brasil de 1970 fez dois gols em escanteios curtos. O Barcelona de Guardiola só batia escanteio curto...

Muito mais não fez o Brasil de quase 80% de aproveitamento de Tite. Não precisou. Apesar de duas bolas no travessão do Uruguai na primeira etapa, os charrúas se perderam de vez quando Cavani se perdeu mais ainda e foi justamente expulso na metade da segunda etapa para um time que sofreu sem Suárez, Valverde, Arrascaeta... A Seleção se poupou. O que não poupou o treinador de críticas por ter mantido Everton Ribeiro (dos melhores do Brasil ao lado de Douglas Luiz, Lodi e Richarlison) até 46 da segunda etapa.

Tite treina o Brasil em Copa do Mundo. Não é diretor do Flamengo ou de qualquer clube. Fosse Data-Fifa, amistoso, não poderia ter chamado ninguém que estivesse na Copa do Brasil. Mas é Copa do Mundo, não Copa do Brasil. Ele não pode administrar o calendário absurdo. Potencializado pela pandemia.

Mas Tite também poderia se manfestar mais sobre isso. Como bem fez Richarlison sobre a falta de luz e gestão no Amapá. Como bem faria o cidadão brasileiro se cobrasse das autoridades o que exigimos da Seleção.

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