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O vírus e o árbitro

O vírus que expõe o que há de mais fraco e injusto na arbitragem.
 

Por Péricles Bassols

O vírus e o árbitro

O vírus e o árbitro

Confesso que nunca havia me passado pela cabeça questionar e criticar a falta de profissionalização dos árbitros devido a um cenário que parece um roteiro de filme de terror. 
Tudo parando por conta de um vírus que assola o mundo inteiro. 
E o esporte, por ser um dos maiores motivos de aglomerações e, portanto, gerar grande probabilidade de contágio em massa, foi uma das atividades sociais que logo parou e, com ele, todos os seus árbitros. 
Mas, e aí?!?! Como ficaram os árbitros no mundo todo??
Bom, na NBA; NHL; MLB; na Premier league inglesa; na primeira liga espanhola, na primeira divisão argentina e em outras ligas que escolheram profissionalizar seus árbitros, neste momento, apesar da frustração de não exercer o que mais gostam, ao menos há a segurança financeira e a tranquilidade emocional de receber um salário, mesmo sem atuar.
Já no Brasil, onde a categoria atua sob o lema "cada um por si", nossos árbitros, inclusive os FIFA, ao pararem de atuar, não terão mais taxas a receber. 
Paradoxalmente, no momento no qual mais se exige a prática do "um por todos e todos por um", a estrutura da arbitragem brasileira os deixa sós.
A realidade atual no nosso país é que vários árbitros ou foram demitidos de seus empregos anteriores à arbitragem por incompatibilidade de horários, ou escolheram se dedicar apenas a esta atividade com o objetivo de entregar um alto nível de performance, o que os jogos,
testes físicos e seus dirigentes exigem hoje. 
Claro! Além do respeito ao jogo e ao esporte que arbitram, quanto mais bem preparado, em boa forma física e acertando decisões em campo, maior a chance de sucesso.
Certamente, através disto, mais escalas virão. É uma relação de mérito, e não de favores, que impulsiona o árbitro ao seu melhor. 
Esta relação não deixaria de existir caso fossem profissionais e recebessem um salário fixo por mês. Ao contrário, se dedicariam mais e valorizariam ainda mais a instituição que os blindasse para que pudessem treinar e atuar com tranquilidade.
As desculpas utilizadas para não fazer a profissionalização são muitas e antigas: leis trabalhistas; quantidade de árbitros; aposentadoria; quem pagaria tudo isso?
O que mais me deixa curioso é o modelo argentino que, dentro de uma economia muito mais debilitada que a nossa e com um campeonato, por consequência, menos rentável, arrumou uma maneira de cuidar dos árbitros, mesmo quando estes não estão escalados. Se eles conseguem, me parece óbvio que o que falta aqui é vontade política. 
Então, neste momento meio apocalíptico, no Brasil, toda a estrutura do futebol continua recebendo seus salários enquanto os árbitros esperam se o mundo acaba ou não para voltar a fazer a feira.
Minha sugestão, apesar da falta de vontade política da CBF em solucionar este tema, é que, durante este tempo de paralisação, pense em uma remuneração mínima, fixa e mensal aos que se dedicam tanto a ela e ao futebol.
Não deixem que o vírus faça de nós uma classe ainda mais doente nesse aspecto. Já basta o que ele está fazendo com o esporte. Aproveitem o ineditismo dos fatos e sejam inéditos em suas ações.
Respeitem os árbitros da mesma maneira que eles respeitam o esporte administrado por vocês.

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