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Ótimo não Carnaval, Neymar

Sacada genial do craque foi a melhor manifestação dele em rede social.

Por Mauro Beting

O humor autodepreciativo é um clássico. Característica do humor digamos "judeu" de Woody Allen e Jerry Seinfeld - dois dos melhores exemplos. Em um país risível como o Brasil, quem se leva muito a sério não merece ser levado a sério. É o humor involuntário. Quase tão engraçado quanto craques como Adnet, Duvivier e Porchat, quase uma linha média francesa muito acima da mídia no Brasil. 

Rir (de si próprio) é o melhor remédio. Fazer piada consigo mesmo é um "autobullying" muitas vezes recomendável. Melhor tirar sarro de você mesmo a abrir brecha para que façam o mesmo. E se expuserem seu cabelo ou falta dele, sua pança ou sua panca, suas bobagens e/ou postagens,  melhor cantar junto a musiquinha, saber todas as piadas a respeito, inventar algumas, sair falando antes de ser zoado.

Abrace o belzebu. O inferno vai ficar mais fresco.

Experiência própria: melhor aceitar e inventar apelidos do que ser vítima deles, vitimizado por eles.

Aceitando dói menos. Quando realmente arde. 

(O que é diferente de tolerar qualquer bullying, por favor. Ainda mais quando você não é a vítima).

Nisso os norte-americanos dão show. Até para quem é xô, satanás. Políticos das piores espécies passam pelos "roasts" (fritadas no Brasil) com categoria. Aceitam a bronca, birra e até o bullyng numa ótima. E saem maiores do que entram nos episódios.

Neymar mandou bem como nunca ao pintar no instagram de sexta-feira pré-carnal, opa, pré de Carná, com a cara lavada e sem produção e assumir que irá "desfalcar" o Carnaval de 2020. Em nome da necessária recuperação física, atlética, técnica e anímica para o jogo de volta da Champions, em 11 de março, em Paris.

Rindo e muito de si próprio, ele deixou Leo Dias desempregado. Nós, coleguinhas esportivos, também sem pauta. Ou apenas putos.

Não teremos mais mesas acaloradas discutindo passos de dança, selfies com Anitta, rolês com Medina, afters do David Brazil, e todo tipo de assunto (SIC) que nem o TV  Fama aborda entre uma bunda banal exposta e outros temas bundalizados na folia.

Neymar usou a melhor arma para desarmar a população: o humor.

Com a mesma ousadia e alegria que, se as lesões não atrapalharem, ele pode fazer enfim no PSG o que tem bola para tanto.

Com a mesma felicidade antes da folia de Momo. Sem cara de tacho e nem de bobo.

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