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Pausa no futebol pode fazer Tiago Nunes reencontrar suas convicções

Corinthians tem só três vitórias em 12 jogos na temporada

Por Taynah Espinoza

Perder com a sua própria convicção ou abrir mão dela e correr o risco de ser derrotado usando a ideia dos outros? Tenho me perguntado sobre isso desde que o Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores e o Inter garantiu a classificação. Os dois clubes não brigavam pela mesma vaga, mas estavam em situações muito parecidas e, por isso, a comparação.

O Inter iniciava o trabalho de Eduardo Coudet, que recém havia chegado ao Brasil. O Corinthians via Tiago Nunes comandar seus primeiros treinos no clube depois de ter sucesso no Athletico. Mesmo atrás do mesmo objetivo, os treinadores agiram de formas diferentes e os resultados também foram assim.

No time colorado, Coudet optou por abrir mão da sua forma de jogar. Atuou com Musto praticamente entre os zagueiros como gosta, mas de resto, escalou um time mais seguro defensivamente e com pouca agressividade e criatividade no ataque. Foi assim que o Colorado avançou e chegou a fase de grupos. A partir daí, o argentino modificou a equipe, colocou jogadores mais velozes e com poder de criação. O Inter passou a marcar mais alto, a ser mais intenso nas partidas.

Tiago Nunes chegou ao Corinthians para modificar forma do time jogar da última década. Foto: Getty Images

Já Tiago Nunes optou pelo caminho inverso. Desde o primeiro dia, quis fazer o Corinthians mudar completamente a forma de jogar da última década. O time que se caracterizou por tomar pouquíssimos gols e ser seguro defensivamente passou a treinar pra ficar mais com a bola, pra ter volantes que soubessem mais jogar do que marcar. O problema é que modificar tudo da noite pro dia não é fácil. A eliminação na Libertadores veio e os questionamentos começaram.

Será que Thiago deveria ter tentado mudar tanto assim? Não era melhor ir aos poucos? Por que não classificar primeiro pra depois pensar em mudança? Eu entendo as perguntas. E os resultados mostram que elas fazem sentido. São só três vitórias em 12 jogos até aqui.

Mas eu concordo com o treinador do Corinthians. Perder jogando com as suas convicções, pra mim, faz muito mais sentido do que correr o risco de ser derrotado pensando com a cabeça dos outros. Sim, porque não há garantia de que se Tiago fosse mais cauteloso, o resultado seria outro. E aí o questionamento seria o inverso: por que Tiago Nunes não fez o time jogar mais como fazia com o Athletico?

O problema é que, nesse meio tempo, o treinador passou a mudar muito a equipe. Carlos Augusto, que nem relacionado era, passou a ser titular no lugar de Lucas Piton, que jogou bem enquanto utilizado. Num jogo, Boselli titular e Gustagol como 1ª opção, no outro Love titular. Camacho, que começou o ano bem, foi pro banco pra Gabriel jogar. Depois, voltou Camacho. Mudanças atrás de mudanças, nenhuma com convicção.

Essas incertezas todas, as atuações ruins e os resultados fazem Tiago ser questionado no clube. A parada no futebol por causa do novo Coronavírus dá um alívio momentâneo ao treinador, que precisa retomar suas convicções no retorno das competições. Afinal, é melhor perder com as próprias ideias do que com a ideia dos outros.

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