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Pelé, 80. E o Messi?

Messi é o Pelé do século XXI

Por Mauro Beting

Eles

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Tostão jogou contra e ganhou espetacularmente de Pelé no ano em que nasci, na conquista da Taça Brasil. Quando Dirceu Lopes (mais), ele e a maior constelação do Cruzeiro ganharam duas vezes do Santos penta da Taça Brasil. Naquele mesmo 1966 Tostão já havia se salvado no Brasil da Copa da Inglaterra. Fazendo a de Pelé contra a Hungria na derrota por 3 a 1 – gol dele. Em 1970, abria espaços pra Pelé como a referência no 4-2-3-1 de Zagallo, e recompunha sem a bola no lugar Dele muitas vezes.

Tostão jogou demais contra Ele.

E com Ele.

E enxerga demais Messi messiânico pelo Barcelona, nem sempre letal (ou apenas mortal) pela Argentina onde tem que passar a bola pra Higuain, como corneta com classe Tostão.

Na querela Pelé x Messi, o doutor Eduardo deixa claro que o jogo segue aberto. Até por tudo que faz Messi, por tudo que ainda pode fazer também pelos outros Messi.

Tostão define que Pelé "era um touro genial. Messi é genial".

Preciso e conciso.

É por aí.

Não é saudosista o Tostão. Ótimo. Mas ele tem saudade. O que é melhor. Quem vive de passado é quem tem história. E quem foi aquele Cruzeiro e o melhor Brasil vive eternamente acordado em berço esplêndido.

Para quem não consegue enxergar o brilho de Messi e só revê seletivamente as glórias do passado, um toque de classe de Tostão. E nisso estou com ele, que não acerta todas – como alguns fidelíssimos tostanistas assinam embaixo tudo que ele escreve e reescreve, como os que acham que tudo que Chico compõe é genial. E acabam entrando na mesma vala comum e fossa escura dos que criticam os autores pelas convicções de urna.

Tostão pontua que hoje "as defesas se posicionam melhor e deixam menos espaços". É isso. É só ver ou rever frames dos anos 70 pra trás. Tinha mais espaço e, por tabela, mais "jogo". Talvez tecnicamente alguns becões e volantes melhores então. Mas, taticamente, e também fisicamente, hoje se joga mais. Ou pior: não se deixa jogar mais.

Tostão tem razão. Quase sempre.

Ainda o jogo segue aberto.

Pra mim, e já desde a virada da década, Messi é o melhor deste mundo.

Pelé é ET.

Não só por hoje serem 80 anos Dele.

Mas Messi é um satélite do planeta Pelé.

Sempre dever lembrar que, de 1956 a 1977, quando Ele reinou eternamente, a bola

ficava bicuda e pesavam mais. Uniformes também mais pesados com suor e chuva. Selvageria em campo e fora dele. Campos horrorosos. Nenhuma proteção da arbitragem e da mídia.

Doping.

Sem as condições tecnológicas de recuperação atlética e física dos jogadores que, de fato, correm cinco vezes mais. Quando não correm em piques mais de dez vezes mais.

O futebol era diferente. Como Pelé sempre será. E mais do que Messi por ser mais completo. E mais letal e completo.

Nem falo em números. Mas cito apenas o nível dos companheiros de Santos que também O ajudaram: Zito, Pepe, Del Vecchio, Pagão, Jair Rosa Pinto, Calvet, Dorval, Coutinho, Mauro, Gylmar, Lima, Mengálvio, Almir, Carlos Alberto Torres, Edu, Toninho Guerreirro, Clodoaldo, Cláudio, Orlando Peçanha, Rildo, Djalma Dias, Joel Camargo, Manoel Maria, Douglas, Ramos Delgado, Cejas, Marinho Peres, Cláudio Adão, Jair da Costa.

E para também acabar com esse papo tonto de que o nível dos torneios em São Paulo e no Brasil não eram tão bons: jamais subestimem os rivais que Pelé enfrentou de 1956 a 1974. E zagueiros e volantes a marcá-lo como Mauro, Bellini, Orlando, Zózimo, Jurandir, Aldemar, Aírton, Jadir, Formiga, Calvet, Altair, Djalma Dias, Ditão, Leônidas, Brito, Carabina, Procópio, Fontana, Baldochi, Scala, Luís Carlos, Luís Pereira, Perfumo, Ancheta, Reyes, Marinho Peres, Alfredo Mostarda, Vantuir, Amaral, Oscar, Abel, Figueroa, Roberto Belangero, Dino Sani, Dudu, Carlinhos, Zequinha, Denilson, Piazza, Roberto Dias, Carlos Roberto, Edson, Zé Carlos, Carbone, Tovar, Carpegiani.

A fina flor de brasileiros e estrangeiros no futebol tricampeão mundial.

Como só Pelé de fato foi.

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