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Portões fechados – qual o sentido do futebol?

Corona Vírus faz Governos e Federações de futebol definirem jogos com portões fechados em várias partes do mundo

Por Taynah Espinoza

O alto número de mortes e o risco de contaminação e propagação do Corona Vírus mudaram a rotina do futebol mundial nos últimos dias. Jogos que deveriam ter casa cheia, uma atmosfera de decisão de campeonato, viraram partidas com portões fechados e silêncio.

Nenhum torcedor do PSG pode ver a classificação do time pras quartas de final da Liga dos Campeões. Ninguém do Valencia teve condição de apoiar o time pra tentar virar a eliminatória contra a Atalanta. Mas afinal, o futebol é feito pra quem? Qual o sentido da continuidade de um campeonato com portões fechados?

PARIS, FRANCE - MARCH 11: Neymar Jr reacts after soring during the UEFA Champions League round of 16 second leg match between Paris Saint-Germain and Borussia Dortmund at Parc des Princes on March 11, 2020 in Paris, France. The match is played behind closed doors as a precaution against the spread of COVID-19 (Coronavirus).  (Photo by Aurelien Meunier - PSG/PSG via Getty Images)
Na falta da torcida, Neymar comemora apenas com jogadores do PSG e comissão | Foto: Aurelien Meunier/PSG via Getty Images)

Sim, eu sei que existem muito mais torcedores do que aqueles que vão ao estádio nos jogos. Mas aquela conexão jogador/torcedor faz toda diferença. Ou então seria muito mais fácil todo mundo assistir ao jogo no seu confortável sofá, lindamente esticado com a sua cervejinha bem mais barata comprada no mercado no dia anterior. Mas a gente sabe que não é assim. O futebol é feito pro torcedor. O sentido de tudo é o torcedor.

Além disso, outra questão precisa ser feita. Por que os atletas, que praticam um esporte de muito contato, podem jogar? Por que os profissionais que fazem a transmissão podem correr esse risco? Certamente a possibilidade de contaminação diminui por ter menos aglomeração no estádio. Mas ainda assim, é um risco. Necessário?

Eu entendo que existem contratos a serem cumpridos, existe muito dinheiro envolvido pra campeonatos acontecerem e serem transmitidos. Mas quando a saúde está em jogo, tudo precisa ser negociado e conversado. Certamente há uma saída.

 

Todos nós amamos futebol, mas deixar os campeonatos continuarem agora é ser egoísta. Significa muito mais pensar no nosso prazer de ficar em casa e assistir um joguinho ou em seguir com contratos milionários do que de fato na saúde e na propagação de uma pandemia que tomou conta do mundo.

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