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Reinicie o sistema

Os tropeços de um Liverpool acostumado a andar de pé

Por Fred Caldeira

Há poucas situações em que praticamente qualquer pessoa pode se identificar, e uma delas é a corriqueira solução para problemas com aparelhos eletrônicos: reinicie o sistema e provavelmente a vida será simples novamente. Ao fim da derrota para o Watford, no último sábado, Jurgen Klopp apresentou a mesma fórmula: "o que fazer agora? Resetar." Como diria um bom técnico, seja de futebol ou de TI.

O jogo em Londres, evidentemente, foi um ponto fora da curva nos resultados de um Liverpool que não perdia há 44 jogos na Premier League, mas nem tanto assim quando o olhar se aprofunda nas performances. No decorrer de uma brilhante temporada, a equipe acumulou um número não tão pequeno de resultados melhores que as atuações. O recorte recente é mais preocupante, com quatro jogos seguidos em que o time apresenta um futebol aquém do próprio padrão. "Às vezes um pequeno tropeço é importante", também analisou o treinador alemão.

Há possíveis explicações para o momento mambembe. Pelas perspectivas tática e técnica, o meio-campo parece especialmente desajustado com a perda de Henderson. Até a lesão na coxa, o inglês era um dos melhores jogadores do campeonato e a reposição não deu resultado, seja com Keita ou Chamberlain. Fabinho, recuperando ritmo de jogo, ainda não é aquela peça tão eficiente do primeiro semestre. Em uma equipe que depende essencialmente do rendimento do setor para soltar os poderosos laterais e dar liberdade ao mortal trio ofensivo, o ajuste precisa ser encontrado com certa urgência.

No campo psicológico, o costume de vencer mesmo sem jogar bem pode ter evitado que o alarme soasse enquanto a bola rola. O gol viria, como veio em tantos outros momentos. Não foi assim diante do Watford. Além disso, a pressão pelo título invicto não existe mais. O Arsenal de 2004 pode dormir tranquilo com o recorde, enquanto o Liverpool de 2020 começa a ver o lado positivo de uma noite inquieta.

É justamente uma noite feliz que definirá o futuro do time na Liga dos Campeões, na próxima semana diante do Atlético de Madri, enquanto na Premier League os sonhos estão muito bem encaminhados para a realidade. No fim das contas, reiniciar o sistema tem tons de exagero em meio a uma estrada tão positiva. O Liverpool precisa apenas se reconectar.

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