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Renato Gaúcho não combina discurso e prática

Coronavírus fez treinador cogitar greve pela paralisação do futebol. Mas parar o próprio futevôlei, nem pensar

Por Taynah Espinoza

Você já deve ter ouvido a expressão “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Normalmente, nossos pais dizem isso quando nos dão uma ordem, mas a atitude deles é completamente contrária ao discurso. Pois foi exatamente o que Renato Gaúcho fez.

No último domingo, o Grêmio enfrentou o São Luiz pelo campeonato Gaúcho. Jogadores e o próprio treinador entraram em campo usando máscaras como forma do clube protestar pela continuidade da competição, mesmo com portões fechados, diante da pandemia do Coronavírus. Após o jogo, Renato se posicionou de forma contundente na entrevista, cogitando, inclusive, uma greve.

Renato Gaúcho usa máscara para protestar e pedir a paralisação do futebol / Foto: Getty Images

"Jogador de futebol é gente. Não estamos imunes. Não adianta nada fechar portões. A torcida fica protegida e dane-se quem trabalha no futebol? O mundo todo parado. Será o que o futebol brasileiro não tem que parar? As pessoas no futebol têm que conversar e fazer greve? Precisa chegar nesse ponto?”, indagou o treinador.

O discurso de Renato foi perfeito. A prática, nem tanto. Depois dos campeonatos serem paralisados e do Grêmio suspender as atividades no clube, o treinador viajou ao Rio de Janeiro, onde existem mais casos de Coronavírus que no Rio Grande do Sul. E foi além: resolveu jogar futevôlei na beira da praia na última quarta-feira, dia 18. Afinal, Renato queria os campeonatos parados por proteção mesmo?

As autoridades cansam de pedir: fique em casa! A praia é um ambiente aberto, mas ainda assim, é um risco que os médicos solicitaram que ninguém corra sem necessidade. Por que é preciso jogar futevôlei e colocar tanta gente em risco?Esse é mais um dos tantos episódios que só acontecem porque Renato está no Grêmio, onde é o maior ídolo da história do clube. A direção deveria se posicionar, mas o presidente Romildo Bolzan claramente prefere não expor o treinador.

“Não sou monitor de escola e nem delegado de polícia para estar controlando a vida de cada um. No momento de folga, o Renato tem todo direito de fazer aquilo que entende que tenha que fazer", disse o mandatário.

Renato é ídolo, deveria ser exemplo principalmente depois de cogitar uma greve pelo risco do Coronavírus. Mas o que ele fez foi se expor a Covid19 por sua livre e espontânea vontade.

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