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Rodrigo Rodrigues é a unanimidade inteligente e humana

Não precisava morrer um cara como ele querido por todos para entender que ser querido MESMO por todos não o impede de ser um grande apresentador e jornalista. Sem ser demagogo, raso, inculto e jogar pra galera.

Não precisava perdermos um cara do bem para entendermos que precisamos nos entender no que é básico. Precisamos nos comunicar. Precisamos nos respeitar.

Por Mauro Beting

Rodrigo Rodrigues é a unanimidade inteligente e humana

Rodrigo Rodrigues é a unanimidade inteligente e humana

Ele gosta de trilhas.

Trilhas sonoras para dar novos tons e temas aos filmes da nossa vida.

Ele gosta de trilhos dos trens. Escreve caminhos pelas cidades do mundo para as pessoas se conectarem pelo metrô. Ele gosta de fazer guias para orientar as pessoas. Ele gosta de publicar rotas para dar mais vida ao tempo das pessoas. Ele gosta de escrever almanaques para dar mais cultura às pessoas.

Ele gosta de pessoas. Por isso é tão querido.

Ele não é só jornalista raro. É pessoa raríssima. Ele gosta de pessoas. Ele gosta de ser querido, diferente de colegas que parecem que amam ser detestados.

Ele gosta de contar histórias. Porque ele sabe que quem vive de passado não é museu. É quem tem história.

Muita história para contar como o RR desde 1995. Quando ele começou na emissora de TV que tem o que ele mais tem: vida. Rede Vida.

Mais fácil dizer em que emissora ele não trabalhou. Ele foi e saiu tantas vezes do ar e pelos ares que era capaz de ele não saber onde estava trabalhando.

Mas a gente sabe que ele está no ar. Trabalhando, propriamente, não. Se divertindo. E muita gente com ele.

Ele faz tudo mais divertido. Mais leve. Mais solto. Até demais.

Só podia ter parado com a gente aqui no Esporte Interativo. Onde apresentou o “De Placa” nosso de todos os dias. Tocando música. Tocando notícia. Tocando comentário. Tocando o terror. Tocando os mamilos do Alê Oliveira?!?! Tocando temas e tocando a bola como se o programa fosse o que ele ainda é. Uma roda de amigos falando da última rodada. De futebol e de bebida apreciada com moderação.

Mas sem moderador. Porque isso ele não é.

Ele é amigo. Raríssimo. Caríssimo.

Querido por todos. Mesmo.

Nao conheço quem não goste dele.

E isso não tem preço.

Palavra de quem trocou com ele uma camisa da Itália pelo agasalho vermelho do Marty McFly do “De Volta pro Futuro” que ele usava nos shows dos Sondtrackers.

A banda que ele fundou e que nos leva nos shows a viajar pelo tempo e pelas telas do cinema. Toca de tudo. E toca fundo.

Como ele.

O cara que gosta de música e futebol. De cinema e dos amigos. De televisão e de rádio. De guitarra e de Flamengo. De papo e de diálogo. De cultura e do pop.

Mas o Rodrigo gosta mesmo é de gostar. Por isso que tantos gostam dele. Ou melhor:

Todos gostam dele.

Todos torcem por ele.

Todos sabem que ele só está chinelando. Jajá ele volta tocando o programa. Tocando guitarra. Tocando quem o conhece e o ama. Tocando quem não o conhece e também o ama. Tocando a gente por ser exatamente tudo isso. O RR é muito gente.

Rodrigo, eu sei que você de verdade só está trocando mais uma vez de canal. É mais uma brincadeira sua.

Eu sei que jajá você volta em definitivo como a gente brincava.

Eu sei que você só está brincando.

E sei mais ainda que com muita coisa a gente não pode brincar.

É tão sério que a gente aqui só pode ficar sério.

É tão sério que o Rodrigo agora é um livro aberto para que a gente possa escrever algumas palavras pra ele.

Além de escrever todas as bobagens que você mandava pra mim e vice versa e o campeão proseia, eu gostaria de escrever no seu livro apenas que o nosso livro que faríamos juntos a gente escreve depois.

Até porque tudo que você escreveu por aqui nem em ficção a gente bolaria algo melhor.

Porque é tudo verdade. É tudo alegria. É tudo você, amigo.

Porque se tem muito apreço pelo passado o RR, tem futuro quem nos dá o presente da sua alegre convivência.

Você é sempre tempo presente, RR.

“De Volta pro Futuro” não é só uma baita trilogia. É uma baita escola. Baita escolha. Baita história. Música. Astral. Cinema.

Um grande tempo. Uma lição de vida.

Um RR.

Força e luz à família.

Porque hoje, para dar essa notícia da sua partida, meu amigo, amigo mesmo da torcida do Flamengo e de todas as torcidas, só Rodrigo Rodrigues para conseguir noticiar que Rodrigo Rodrigues nos deixou.

Aproveite e faça um guia de como é o céu.

Vai ser mais um sucesso seu.

Rock in Peace, meu amigo.

Jajá voltamos.

Mas só com você.

Porque só o Rodrigo Rodrigues para nos levantar num dia como esse.

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