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Sampaoli, a diversão do Brasileirão

Ver o Atlético-MG em campo é um alívio num Campeonato com tanto time que parece ter medo jogar futebol

Por Taynah Espinoza

Sampaoli passa o jogo inteiro assim, quase entrando em campo pra jogar com o time(AFP via Getty Images)

Sampaoli passa o jogo inteiro assim, quase entrando em campo pra jogar com o time | AFP via Getty Images

Não sei se o Atlético-MG vai ser Campeão Brasileiro com Sampaoli. Seguir nessa batida, com 75% de aproveitamento, não é fácil. O que eu sei é que, hoje, o Galo é o time mais gostoso de assistir em campo.

Vários reforços foram contratados, bons nomes chegaram como Keno e Arana, por exemplo. Mas isso não transformou o Atlético no melhor elenco do Brasil, numa super potência no papel. Só que, de novo, na prática, Sampaoli consegue fazer vários jogadores crescerem de produção.

Foi assim no Santos e é assim no Galo. Essa é a melhor versão de Guga, Arana, Allan, Sasha (de novo), Jair...se você parar pra pensar agora, quem é o craque desse time? Quem é o jogador mais importante? Sampaoli faz a engrenagem ser mais importante do que cada pecinha individual. E coloca um combustível pra ela funcionar.

É a intensidade! A vontade de sempre querer mais.

O Atlético pode estar ganhando de dois, três, quatro, não interessa. O time segue querendo mais. Diante do Vasco, no último domingo, a equipe já vencia por 4x1 quando o jogo foi pro intervalo e Sampaoli deixou o campo e foi pro vestiário com uma gana inacreditável. Isso passa pros atletas.

É óbvio que a organização do time em campo é fator preponderante pros resultados acontecerem. Mas a mentalidade do treinador também influencia. Sampaoli não se contenta com pouco, não quer o básico. Assim como era com Jorge Jesus no Flamengo.

Não é porque são estrangeiros que merecem elogios, mas a minha sensação é de que os dois sentem que não têm muito a perder no futebol brasileiro. Diferente dos treinadores daqui, os gringos sabem que se não fizerem um bom trabalho, sairão e ainda assim terão mercado em outros países pelo mundo. Com os técnicos brasileiros, a coisa é diferente. Se perder aqui, se ficar marcado por resultados ruins em trabalhos em sequência, o mercado vai se fechando, as oportunidades vão diminuindo. E aí, com medo disso, praticamente todos jogam correndo o menor risco possível, o que significa um jogo chato atrás do outro.

Por isso, quando o Galo entra em campo, eu me sento em frente a TV com gosto pra assistir. O time vai perder jogos ainda nesse Brasileirão?! Provavelmente. Mas eu prefiro quem queira jogar do que quem tem medo do jogo.

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