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Se te incomoda mulheres e homens convocados para Seleção receberem valores iguais, você não quer um mundo mais justo

No dia em que anunciou as ex-jogadoras Aline Pellegrino e Duda para comandar o futebol feminino, CBF informa que pagará diárias e premiação iguais ao futebol feminino e masculino

Por Taynah Espinoza

Pela primeira vez, o futebol feminino está nas mãos de duas mulheres, que conhecem muito bem a realidade e as necessidades da modalidade

Pela primeira vez, o futebol feminino está nas mãos de duas mulheres, que conhecem muito bem a realidade e as necessidades da modalidade

A CBF anunciou nesta semana duas mulheres pra comandar o futebol feminino da entidade. Depois de longos dois meses da saída de Marco Aurélio Cunha, Aline Pellegrino, ex-jogadora e diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, e Duda Luizelli, ex-jogadora e coordenadora do futebol feminino do Inter, chegam com muito conhecimento da realidade e das necessidades da modalidade. O futebol feminino, enfim, está nas mãos de mulheres. Além dessa ótima notícia, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, fez um anúncio importantíssimo. A partir de agora, o valor das diárias pagas aos homens e as mulheres convocadas pela Seleção Brasileira será igual. E mais: a premiação por conquistas também.

“O que elas recebem por convocação diária, de premiação, inclusive em Copas do Mundo, será igual ao dos homens. Não haverá mais diferença de gênero”, garantiu Caboclo.

E não é que há quem se incomode com isso?

Os comentários nas notícias e nos posts sobre essa novidade não me deixam mentir. Muitas pessoas, a grande maioria, homens, se incomodaram com essa equiparação nos valores. Por quê? Por que isso incomoda tanto?

Naturalmente, a maioria também virá com a resposta pronta de que o futebol masculino envolve cifras mais altas. Por isso, homens devem ganhar mais. Então vamos por partes.

No anúncio, o presidente da CBF explicou que as mulheres receberão a mesma premiação dos homens no proporcional ao repasse da Fifa. Aqui já há uma diferença de valor. Se confirmada a promessa do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de dobrar o valor da premiação da Copa do Mundo feminina, o valor saltaria pra 60 milhões de dólares em 2023. Ainda bem longe dos 400 milhões de dólares dos homens em 2022.

O segundo ponto é que, quando a CBF define que pagará diárias iguais aos homens e as mulheres, ela, de alguma forma, tenta iniciar um processo de igualdade de oportunidade. Por muitos anos, as mulheres foram PROIBIDAS de jogar futebol. As desculpas eram as mais diversas. Chegaram a alegar que, biologicamente, a mulher não poderia ser mãe se jogasse futebol, uma grande mentira. Ainda assim, se fosse verdade, a mulher deveria ter o DIREITO de não querer ser mãe e ser jogadora de futebol! Mas a questão aqui nem é essa.

A questão é que, enquanto éramos proibidas de jogar futebol, homens já jogavam há muito tempo. É natural a distância, inclusive mercadológica. Mas esse erro histórico precisa ser corrigido. E se corrige com ações como essa da CBF.

Esses dias vi um posicionamento, que me chamou a atenção, da repórter do Milwaukee Bucks, time que se recusou a entrar em quadra na NBA depois de mais um caso de racismo nos EUA. O questionamento dela, enquanto falava da atitude da equipe, é válido e deve valer pra todos nós refletirmos.

Você tá aberto a abrir mão do seu privilégio por uma sociedade justa?

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