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Síndrome do Ninho Vazio: eles se sentem seguros

Mas os milhões que torcem por eles se sentem inseguros, desamparados e sem explicação para profissionais que se acham acima da Lei, da saúde e do bom senso.
 

Por Mauro Beting

Pandemia. Em 1918

Pandemia. Em 1918

Eles se sentem seguros

Eu não posso sair de casa e trabalhar.

Mas não é problema, não. Falei com meus companheiros de serviço, com meus diretores da obra, e com o dono da minha firma.

Nós fizemos tudo que as autoridades falam que é necessário.

Só não fizemos o que a maior autoridade pediu para fazer.

Qual o problema?

Nenhum.

Até porque ninguém ganha mais prêmios e mais dinheiro no meu negócio do que a gente.

Então eu vou voltar ao meu trampo.

Quem tem que ter boa imagem é espelho.

E daí que tem um monte de gente que adora o nosso trabalho e a maioria não pode nem sair de casa?

Nós vamos voltar ao trabalho.

Por quê? Porque a gente quer.

E ninguém tem tanta gente que torce pelo nosso sucesso como a gente.

Então a gente vai fazer o que bem entende. E até o que não entende.

Temos um histórico de atleta e não vai ser nenhuma gripezinha que vai nos derrubar.

(Manifesto de uma grande empresa brasileira durante a Gripe Espanhola, em 1918).

Você não acredita?

Problema nenhum. Imagine se isso acontecesse agora em 2020 com uma grande equipe de profissionais?

Estaríamos todos perdidos. Inclusive aqueles que mais ganham. Ou só sabem ganhar. Ou, no caso, não sabem nem perder e nem ganhar.

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