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Sobre Honda e mendigos

Recepção calorosa do japonês Honda expôs toda a empolgação da torcida do Botafogo com a chegada do reforço. A invasão alvinegra foi criticada por alguns, que viram um exagero e uma idolatria imediata em cima do jogador.

Por Bruno Formiga

Não existe receita para a construção de um ídolo. Alguns chegam prontos, outras se criam aos poucos. Muitos não sustentam o rótulo. E vários vestem a capa. Honda no Botafogo ainda não é nenhum dos dois. Mas representa a esperança que move os alvinegros. E qualquer outro torcedor.

O ídolo ressalta que podemos ser melhores. É um sopro de autoestima, de exemplo. Seja no futebol ou fora dele. Ídolos são um norte que muitos de nós queremos seguir.

A torcida do Botafogo não foi ao aeroporto porque Honda já é uma referência. Nem porque ele ganhou títulos pelo clube e tem uma baita história com a camisa alvinegra. Nada disso. As pessoas estavam ali para celebrar mais uma chance. Para comemorar o futuro e as possibilidades que se abrem. 

Ninguém tirou seu dia para agradecer Honda pelos serviços prestados. Os torcedores foram ali pela crença de que esses podem acontecer.

Carênica? Pode ser. A arquibancada (de qualquer estádio e de qualquer clube_ vive de braços abertos. Usando um pouco do uruguaio Eduardo Galeano, somos mendigos correndo atrás de migalhas de bom futebol - e de bons jogadores.

O futebol se alimenta disso. Sempre tem espaço para novos ídolos. 

A porta da esperança nunca está fechada.

Que bom.

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