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Tem muita gente que só quer bater bola sozinha

Não falta amor no futebol e no mundo. Falta respeito. Debate. Diálogo. Compreensão.

Por Mauro Beting

Democracia em campo. Sempre

Democracia em campo. Sempre

E aí, Twitter? Beleza? Então...
Não precisa responder não, tá?

Até porque você deu a chance para ninguém responder a um tuíte, né?

Essa turma que adora escrever "lacrou", "mimimi" e sair bloqueando a torto e sem o menor direito agora pode ser a déspota nada esclarecida mesmo.

Pode postejar e defecar regra sem dar espaço ao debate. Ao diálogo.

A turma do embate e do combate agora pode fazer a rede antissocial que ela sempre quis. Eu falo, o outro abaixa a orelha.

O mais triste é que não faltarão coleguinhas seguindo a nova ferramenta-picareta. Ou apenas picareta.

O que falta ao mundo é diálogo. Debate. Respeito.

O que já era péssimo em 280 toques agora basta um toque pra gente se tocar de que parece que ninguém quer se comunicar. Quer só falar. Blaterar. Para não dizer zurrar mesmo.

A inópia venceu. A falta de diálogo goleou.

E não ficou apenas nisso: e tem muito mais disso no futebol de hoje.

Torcedores do São Paulo "cancelando" (SIC dos SICS) como almas depenadas
macarthistas e totalitárias Alexandre Pato por ele ter defendido o presidente - ainda que ele seja mais indefensável que um tiro de Pelé. Da mesma laia dos que queriam a cabeça do ídolo Raí por ele ter atirado do outro lado defendendo o ataque defensável a quem ataca a ciência e quase tudo mais.

Reitero: amo a obra de Woody Allen, embora a pessoa pareça não merecer nenhuma das tantas risadas e sorrisos que já me deu. Amo Chico Buarque e posso adorar Ultraje Rigor. Não importa em quem eles votam.

Não sei quem elegem os roteiristas e atores de MODERN FAMILY. Não sei as inclinações políticas da turma que faz THIS IS US. Não sei se foi de 17 ou 13 ou 99 a turma do Bar Veloso. Mas a caipirinha e a cozinha seguem imbatíveis.

Não gosto das pessoas pelo que elas votam. Posso discordar por isso. Jamais desprezar. Muito menos deixar de gostar quem me fez amar pelo que fez em campo.

No WhatsApp da minha família tem muito mais PT, PSOL e PPS que eleitor do Bolsonaro. Mas eu amo todos do mesmo jeito. Porque não tem teste ideológico no sangue. Tem DNA. As siglas que realmente importam.

Rivaldo, como Marcos, como Sócrates, como Raí, como qualquer um pode votar em quem quiser. Defender quem quiser. Pode até não abrir o jogo e o voto. Outro direito inalienável em dias de tamanha intolerância e truculência de gados e récuas.

Só não pode defender a indefensável ditadura. Na prática e na política.

Só não pode votar em nome de torturador. Como fez o presidente eleito ao afastar a ex-presidente.

Por favor, torcedores de bem e de bens: não vamos ideologizar até o campo de jogo.

Deixem nossos ídolos, craques, bagres e escroques defenderam suas ideias e seus gostos e desgostosos.

Não os deixem por isso.

Patrulha ideológica é deplorável. Sempre.

Tanto quanto proselitismo partidário durante campanha eleitoral.

Tanto quanto fazer o jogo de situação ou oposição.

Defender politicamente bandeiras democráticas é outra história.

Tanto quanto vestir a camisa do seu time e entrar no campo para levantar o troféu ao lado do elenco.

Podemos nos posicionar. Só não devemos trocar as bolas.

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